15.6.13

O Título não importa


JQ nunca foi um cara de estar junto. Ele nunca teve amigos, aliás, ele teve muitos amigos, ainda tem muitos amigos. Grande parte inventada, imaginária. Diz ele ser o melhor amigo que se pode ter. 

Mas a vida está para lhe pregar peças, um vendaval sentimental está para vir. Ele menos espera, tá chegando, é na livraria, no andar de cima. Um dia normal, como os outros ele e seus "amigos" estão indo atrás de mais um lançamento, porque é sempre assim, leitor assíduo está na livraria no dia de lançamento. 

Parece esquisito, mas está tocando uma das músicas favoritas de JQ, é uma que diz sobre o amor, sobre as pessoas, sobre o sentimento. Ele fica ali parado, pensando, no dia que deu seu primeiro beijo. Aquela música tocou, tocou várias vezes no aparelho velho do seu quarto. JQ era apenas uma criança quanto aconteceu, mas nunca esqueceu seu primeiro e único beijo.

"Jota Quê" sempre bancou o esquisitão, é bobão demais, ele pensa. Ninguém se sentirá atraído por ele. Menino matuto, confuso e brincalhão. Vaga mais em seus pensamentos do que no planeta terra. Onde será que ele está agora? Não dá para esquecer o primeiro beijo. Mas seus amigos imaginários estão gritando "compre o livro". Empacou. Os olhos estão vidrados em algo que não é de papel, não tem uma capa flexível, não tem cheiro comum. Respiração está mais lenta. 

Chega perto, assusta. JQ nunca esteve tão perto de uma menina - já teve, uma vez. Ela está sorrindo, sorrindo para ele. JQ não sabe o que fazer, tremendo, dá um sorriso meio atrapalho em resposta. 

Julie Morgam é daquelas garotas populares, linda e sexy. Porém a um bom tempo, desde quando seu pai adoeceu ela está em outro caminho, largou a banda de rock, deixou de ser popular. Está estudando mais, se importando com o nerdismo, parou a muito tempo de magoar os excluídos. Julie está esquecida, mas ela se sente bem. Antes foi uma menina má, imatura, jovem, nunca se importou com o amanhã, era só festa, só gastos, para ela só existia o hoje. Julie Morgam percebeu que a vida não é somente ilusão, depois que o pai caiu numa maca de hospital nunca mais se levantou. 

Julie Morgam está fazendo tudo o que seu pai quer que ela largue aquela vida. É isso que está fazendo, justamente agora, está sorrindo cara um menino esquisito, mal vestido e com o cabelo desgrenhado. Ela diz: "Oi" 

O. Oo. oii - Ele responde, ela chega mais perto, ele sente o cheiro quente. 

Hallejuah... A música trocou, a música trocou, toca uma música para o sorriso sincero e sem jeito dos dois, uma nova trilha sonora para aqueles olhares. Será que existe amor à primeira vista? 

JQ você perdeu o lançamento, Julie suas amigas estavam te esperando há uma hora na lanchonete. Numa livraria, Julie conseguiu desprender a timidez que prendia JQ; e JQ por sua vez, fez uma menina há muito tempo triste: feliz. Por horas a finco numa conversa de livros, de pais, de cachorros, das pessoas, da música que tocava. Mas principalmente como o mundo é pequeno já que eles são de mesma escola, de mundos tão diferentes. Como assim? 

Outro dia na livraria, lá estão os dois ouvindo a música e falando sobre livros. Outro dia. Mais um dia, outro, outro, dois meses. Estão encostados ali, sentados no chão, apreciando a música, cantarolando a música. 

JQ não treme mais, seus amigos foram embora. Ele não precisa mais, nunca mais de amigos fictícios. Julie não sente mais falta da vida rotineira, não está a fim de aborrecer ninguém, está feliz sem se sentir excluída. Porque ela não está só, ninguém está. Já faz três meses que estão sempre ali, todos os dias no finalzinho da tarde. É sexta feira, Hallejuah está tocando novamente, depois de tanto tempo, será que é coincidência? A música começou, um beijo rápido, um novo beijo menos atrapalhado, quente, macio, esperado, JQ não tem prática. Julie entende, sabe toda sua vida, aqueles dias compensaram para o pequeno garoto. A garota, também cresceu, ela sabe que encontrou seu porto seguro no mais esquisito menino, olhando agora ele nem é tão esquisito. 

3 comentários

  1. Igooooor, que coisa linda! Imagem linda, texto lindo. Me apaixonei por sua historinha, meiga.. doce. Eu voto pra que tenha continuação.

    "Hallejuah... A música trocou, a música trocou, toca uma música para o sorriso sincero e sem jeito dos dois, uma nova trilha sonora para aqueles olhares. Será que existe amor à primeira vista?"

    LINDO. ♥

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  2. Conto psicológico... muito bom!!! As pessoas mudam, por algum motivo deixam de lado tudo o que fazem. Lindo conto, parabéns. (as pessoas estão sempre querendo que mudanças assim durem eternamente, e duram, só que é difícil não haver alguns erros de vez em quando).
    Bjuuuuuuuuuuuuus, bom domingo e boa semana e espero que JQ e Julie Morgan continuem sempre lendo e claro, sempre felizes hehhe
    aprendendocuriosamente.blogspot.com

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