Bloco de Notas II

21 Feb 2017


Algumas centenas de pessoas passaram pela minha vida e eu nunca percebi o quanto delas passei a levar comigo, mal elas sabem a importância que teve e têm na minha vida. Nem eu mesmo sei. Depois de um tempo percebi que passei olhar mais atentamente para o que está a minha volta, que mesmo trancado dentro de uma capital há como sair e realmente se divertir, descobrir, explorar. Recentemente percebi que não deveria dar razões para as pessoas e que não importa o que os outros simplesmente acham de mim, eu sou foda, desculpe o palavreado, mas eu sou realmente foda. Eu sou foda porque eu me acho assim, porque pessoas me ensinaram sendo elas mesmas muito sobre mim. Parece ser um jogo. E talvez seja um jogo. Seja um jogo de aprendizado sem retorno físico. 

14012017

Resenha: "A Sala dos Répteis", de Lemony Snicket

15 Feb 2017

A Sala dos Répteis
Desventuras em série, livro 02
Lemony Snicket
Companhia das Letras
184 páginas
Lemony Snicket é um autor que não pode ser acusado de falta de franqueza. Sabe que nem todo mundo suporta as tristezas que ele conta e por isso - para que depois ninguém reclame - faz questão de avisar: 'Se você esperava encontrar uma história tranqüila e alegre, lamento dizer que escolheu o livro errado. A história pode parecer animadora no início, quando os meninos Baudelaire passam o tempo em companhia de alguns répteis interessantes e de um tio alto-astral, mas não se deixem enganar...'

Os Baudelaire têm mesmo uma incrível má sorte, mas pode-se afirmar que a vida deles seria bem mais fácil se não tivessem de enfrentar o tempo todo as armadilhas de seu arquiinimigo: o conde Olaf, um homem revoltante, gosmento e pérfido. Em 'Mau Começo' ele deu uma pequena amostra do que é capaz de fazer para infernizar a vida de Violet, Klaus e Sunny Baudelaire - e aqui as coisas só pioram.
O segundo volume de Desventuras em Série não decepcionou. Se, assim como eu, o primeiro livro lhe foi uma leitura agradável, facilmente você será cativado pela continuação das desventuras em que estão metidos os órfãos Baudelaire. A Sala dos Répteis tem o mesmo estilo de narrativa de Mau Começo. Toda a história é contada por Lemony, o próprio autor, que se diz na obrigação de contar a todos os leitores, os infortúnios vivenciados por Violet, Klaus e Sunny.



No primeiro volume o terrível conde Olaf tem seus planos levados por água à baixo, mas em seu último ato, consegue fugir da polícia deixando a ameaça de que voltaria para pôr as mãos nos órfãos e, principalmente, na fortuna que lhes pertencia. Novamente sem lar, sr. Poe - encarregado de encontrar um novo tutor para as crianças e de administrar a herança dos Baudelaire - tem mais uma vez a missão de lhes achar um lar. E é então, que conhecemos a agradável e exótica figura que é o tio Monty, um parente distante que não tem esposa, nem filhos e se dispõe a cuidar dos três. Tio Monty é cheio de peculiaridades, herpetologista (especialista em cobras) apaixonado pelo seu trabalho, tem em suas casa muitas espécimes de répteis e, o que no início deixou Violet, Klaus e Sunny meio receosos logo se tornou um enorme prazer. Foram recebidos com muito amor pelo tio, que tratou de acomodá-los um em cada quarto, de forma que pudessem decorá-los como quisessem.

As coisas andavam bem demais para os três irmãos, que acreditavam finalmente ter encontrado um lar digno e feliz, onde talvez conseguissem superar a falta dos pais. Mas, claro, a má sorte os acompanhava, de forma que mais uma vez se viram cercados de terror. Acontece que enquanto se preparavam pra irem todos juntos à uma expedição com tio Monty, em busca de novas espécies, se depararam com o novo assistente do tio, que dizia chamar-se Stephano, mas de cara e em choque, eles notaram que na verdade era conde Olaf. Agora com as sobrancelhas separadas e com uma barba gigante, mas definitivamente, era conde Olaf e óbvio, estava lá unicamente para cumprir a promessa deixada no último encontro que tivera com os pobres Baudelaire, que não sabiam como sairiam mais uma vez das garras daquele monstro. Apesar de todas as tentativas, os jovens não conseguiam convencer o tio e o sr. Poe de que falavam a verdade e muitas desgraças ocorreram por causa disso.



Dava uma raiva danada ler como as crianças eram capazes de decifrar o que estava acontecendo ao redor de todos, enquanto os adultos mantinham-se cegos, de forma que nem muito falatório foi capaz de evitar os desastres que se seguiram na vida de todos. Os jovens continuam sendo subestimados pelos adultos que as cercam, tornando-os extremamentos vulneráveis, de forma que, sem a técnica de Violet, a inteligência de Klaus e o talento com os dentes de Sunny, acredito que coisas piores já teriam acontecido aos três. Juntos eles formam uma equipe infalível, que aprendi a amar. Por final, a minha dica é ir lendo os livros e asisstindo série original da Netflix - Desventuras em série -, que diga-se de passagem, é bem fiel ao livro, tornando a experiência de leitura ainda mais intensa e gostosa.

​ Seja o ouvido amigo de alguém

13 Feb 2017


Não é tão difícil quanto parece, às vezes você acha que está ouvindo problemas, fatos da vida de alguém que, talvez, não faça diferença na sua vida. Porém, por outro lado, o lado de quem fala é como calar a voz do desespero, é ser ouvido sem preceito, é acalentar em palavras num abraço amigável.

E muitas vezes não percebe que alguns poucos minutos podem salvar uma vida, que invés de você julgar poderia compreender a história de alguém, a vida e perceber que muitas vezes atrás de um sorriso, de fotos felizes, há também uma alma triste que implora para ser ouvida, compreendida.
Porque você percebe que algumas coisas na vida são realmente complicadas, e pode não parecer, mas a caminhada não precisa (nem deve) ser seguida sozinha. Podemos ser parceiros, amigos, irmãos e se dedicar ao próximo mesmo que apenas um pouquinho e acredite esse pouquinho faz uma diferença, desproporcionalmente, grande.

E quando muitas vezes você julga alguém, chama de fraco ou simplesmente deixa a conversa ir para o fundo do bate-papo você pode estar fazendo com que uma luzinha deixe de brilhar no mundo. Porque temos essa natureza de guardar os sentimentos ruins dentro, de deixar o lado negativo ser sempre maior que o positivo e, infelizmente, alguns acham que o modo de calar essa dor silenciosa é indo daqui para uma melhor. As coisas que nos deixam conseguimos colocar pra fora com um ouvido amigo, seja um psicólogo ou qualquer outro que esteja interessado em ouvir, através de uma conversa descompromissada envolva de uma fogueira ou afogado num abraço.

Danieu era um desses meninos que sorria o tempo todo e parecia estar sempre feliz. Mas ele veio falecer nesse ultimo domingo e deixou um pedacinho vazio dentro de um monte de pessoas e nós nem tivemos tempo despedir, de dizer o quanto admirávamos e que estaríamos sempre disponíveis, mesmo que não tivéssemos percebidos os sinais.

Então conseguimos colocar tudo isso numa dimensão maior e ver que existem muitos meninos e meninas como Danieu, felizes por fora e também tristes por dentro e podemos mudar essa realidade apenas deixando um pouco de lado o eu, o narcisismo, se importando um pouquinho mais com quem está do lado. Não falo sobre pegar o problema dos outros para si, falo sobre de alguma forma ajudar alguém: com texto motivador, com uma música que levanta os ânimos, com um convite para tomar um sorvete.

Venho como amigo, como um desconhecido, pedir não muito mais do que uma conversa, meia dúzia de palavras e compreensão. Porque uma luz, não, muitas luzes deixam de brilhar porque simplesmente deixamos, sem querer, que elas se apaguem.

Aonde quer que você esteja, que você esteja bem