Resenha: "Fera", de Brie Spangler

Fera
Brie Spangler
Editora Seguinte, 2017
384 páginas
Dylan não é como a maior parte dos garotos de quinze anos. Ele é corpulento, tem quase dois metros de altura e tantos pelos no corpo que acabou ganhando o apelido de Fera na escola. Quando ele conhece Jamie, em uma sessão de terapia em grupo para adolescentes, se apaixona quase instantaneamente. Ela é linda, engraçada, inteligente e, ao contrário de todas as pessoas de sua idade, parece não se importar nem um pouco com a aparência dele.

O que Dylan não sabe de início, porém, é que Jamie também não é como a maioria das garotas de quinze anos - ela é transgênera, ou seja, se identifica com o gênero feminino, mas foi designada com o sexo masculino ao nascer. Agora Dylan vai ter que decidir entre esconder seus sentimentos por medo do que os outros podem pensar ou enfrentar seus preconceitos e seguir seu coração.
Fera foi um dos poucos que resolvi ler a sinopse, apesar de uma capa linda, precisava de um fator mais importante do que fotos rentáveis numa resenha, precisava de um conteúdo que me proporcionasse de alguma forma crescimento. Ao ler a sinopse descobri que se trata de um livro sobre aceitação, orientação sexual e gênero, me apaixonei pela ideia de ler mais um livro com a temática LGBTQA e por mais que sejam livros que não me satisfazem cem por cento, sinto que eles me permitem conhecer um pouco mais e conhecer outras histórias, como a de Jamie, uma mulher trans não operada.




Fera é em parte um livro que contém transfobia e isso é até normal (não estou dizendo que apoio, por isso continue lendo a resenha). Somos inseridos através dos olhos de um menino de 15 anos cis dentro de um grupo fechado de dois amigos, JP e a própria mãe do garoto, que também é preconceituosa. Dylan, nosso protagonista, mostra o seu preconceito na metade do livro, ao descobrir que Jamie nasceu como menino.

Pego totalmente de surpresa, por algo desconhecido, o personagem só tende fazer uma coisa: recuar. Porque, infelizmente, estamos inseridos numa sociedade machista e binária, ele cresceu gostando de garotas e acha que gostar de uma trans será totalmente contra seus próprios valores. Quando digo que é normal, quero dizer que todos nós passamos por uma fase de aceitação, compreensão e desconstrução; o que, aliás, acontece todos os dias desde que permitimos que essas mudanças sejam feitas.

O romance fala sobre sentimento além da aparência física e gosto muito do modo como Brie Spangler abordou isso, ela insere em sua trama um personagem esteticamente feio e uma personagem trans, ambos se apaixonam um pelo outro e os paradigmas, se assim posso dizer, são quebrados quando você deixa de levar em consideração que o corpo é a peça fundamental da vida; ao transcender do físico para o espiritual você percebe que todos nós somos movidos a apenas uma coisa: amor.




Infelizmente em Fera temos apenas a perspectiva de Dylan, creio que isso tenha deixado aquela vontade saber como é a vida de Jamie, que é contada em poucos versos onde ela explica a relação com os pais e na escola, algo bem básico que faz com que o leitor queira conhecer mais a personagem, creio que capítulos intercalando entre os personagens durante a narrativa seria bem-vindo e aceito. permitindo que a leitura fosse, sim, mais prazerosa. 

Apesar da narrativa ser evidenciada em Dylan, conseguimos ter noção dos diversos problemas dos personagens secundários, como o melhor amigo e os problemas familiares ou o modo com a mãe de Jamie se preocupada com ela em relação ao mundo e até mesmo como a proteção da própria mãe de Dylan tira a privacidade do garoto. Então, não há um único problema nesta história: a autora se preocupa em abordar diversos momentos (difíceis e bons) que acontecem na vida dos adolescentes e como isso interfere em quem eles serão futuramente. 





Recomendo muito a leitura desse livro para pessoas que não entendem muito sobre transexualização ou para qualquer outro com a cabeça aberta para entender um pouco mais sobre identidade de gênero e sexualidade. Enquanto traz à tona questões difíceis como dilemas existenciais, preconceito e bullying, o livro também fala de forma esperançosa e leve sobre amizade, descobertas e autoaceitação. 



Resenha: "Mil beijos de garoto", de Tillie Cole

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Mil beijos de garoto
Tillie Cole
Editora Outro Planeta
400 páginas
Um beijo dura um instante. Mas mil beijos podem durar uma vida inteira. Um garoto. Uma garota. Um vínculo que é definido num momento e se prolonga por uma década. Um vínculo que nem o tempo nem a distância podem romper. Um vínculo que vai durar para sempre. Ao menos era o que eles imaginavam. Quando, aos dezessete anos, Rune Kristiansen retorna da Noruega para o lugar onde passou a infância – a cidade americana de Blossom Grove, na Geórgia –, ele só tem uma coisa em mente: reencontrar Poppy Litchfield, a garota que era sua cara-metade e que tinha prometido esperar fielmente por seu retorno. E ele quer descobrir por que, nos dois anos em que esteve fora, ela o deletou de sua vida sem dar nenhuma explicação.

Poppy e Rune são os personagens principais dessa histórias. Melhores amigos desde o primeiro encontro dos dois, quando Rune e sua família mudaram-se da Noruega para os Estados Unidos, onde Poppy e sua família moravam. Além de vizinhos e melhores amigos, aos 8 anos Poppy e Rune já haviam descoberto o amor e desde então prometeram todos os beijos de suas vidas um ao outro. Essa promessa aconteceu depois que a avó de Poppy faleceu e deixou a menina sem um parceiro para suas aventuras. Como forma de deixar uma grande aventura para Poppy, uma aventura que duraria sua vida inteira, a avó deixou para a neta um presente. Esse presente consistia em um pote repleto de corações em branco - mil, para ser mais exata - mil beijos de garoto, pois a missão de Poppy era preencher todos os corações com beijos que fizessem seu coração explodir, assim como os beijos que o avô deu à avó.



O amor dos dois só se fortaleceu com o passar dos anos e um completava o outro de uma maneira que ninguém era capaz de contestar. Poppy com sua paixão pela vida, pela natureza e pela música, tocando seu violocelo e sonhando com futuras apresentações profissionais. Enquanto isso, Rune vivia para capturar momentos - muitos desses compartilhados com Poppy - com sua câmera Rune fotograva tudo que tocava seu coração e compartilhava o sonho de Poppy de juntos, no futuro, morarem em Nova York e viverem de suas paixões. Juntos

O que eles não temiam é que o destino preparava surpresas tristes para o relacionamentos dos dois. As notícias ruins começaram a surgir quando o pai de Rune anunciou que eles voltariam para a Noruega por questões de trabalho e precisariam passar dois anos lá, deixando Rune e Poppy destruídos, pois ambos não suportavam a ideiam de passarem tanto tempo tão longe um do outro. Porém, tentando acreditar que o amor dos dois suportaria a distância, prometeram esperar a volta de Rune a cidade, mas mais uma vez o destino os separou. Depois de dois meses com Rune longe, Poppy sumiu, simplesmente bloqueeou todo e qualquer contato com Rune - que não compreendia o que havia acontecido, transformando sua tristeza em raiva, acumulando-a durante todos os anos longe dela e descontando nos pais, já que eles eram os culpados por o afastarem dela. Contudo, o que Rune só saberia dois anos depois, após voltar a ser vizinho de Poppy, é que a resposta do afastamento de Poppy destruiria seu mundo. O mundo dos dois.



Esse livro me emocionou do início ao fim. Chorei feito criança e aprendi coisas tão bonitas nessa narrativa, que tornou-se um dos meus livros favoritos. A história nos ensina que devemos dar valor a cada dia que vivemos e observar as coisas simples, como o nascer do sol, as flores, o mar e principalmente a amar as pessoas como se fosse o nosso última dia com elas. Estou apaixonada pela escrita de Tillie e com o coração ainda quentinho dessa história que me fez chorar mas que também trouxe uma sensação de paz indescritível. É aquele tipo de livro que aconselharia para todas as pessoas. É o tipo de história que merece ser lida.

Ps: Preciso que façam uma adaptação cinematográfica pra essa história. Netflix, eu te imploro!
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Resenha: "Querido mundo, como vai você?", de Toby Little

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Querido mundo, como vai você?
Toby Little
Editora Fontanar, 2017
248 páginas
"Querido mundo, tenho cinco anos, vivo na Inglaterra e me chamo Toby Little. Estou cheio de perguntas a fazer, por isso resolvi escrever cartas para pessoas de todos os países do planeta. Espero que elas também queiram conversar comigo.” Quatro meses depois de tomar essa decisão ambiciosa e de receber o apoio dos pais, Toby atingiu seu objetivo. E, para sua surpresa, o mundo escreveu de volta! Nesta coletânea, que conta com mais de 150 dessas cartas, você encontrará as conversas adoráveis e inusitadas entre Toby e os mais variados destinatários: de um cientista que vive na Antártica ao Papa Francisco, passando pelo palácio de Buckingham e por uma escola no Turcomenistão. E meio a cartas enviadas a um astronauta canadense e a Nelson Mandela, você redescobrirá, através do olhar infantil de Toby e de seu encantamento pelo outro, um mundo feito de culturas diferentes, mas com pessoas semelhantes na vontade de torná-lo um lugar melhor. Um mundo que fica até pequeno se comparado ao alcance que tem o sonho de uma criança com determinação para alcançá-lo.
As primeiras cartas foram endereçadas à França, Austrália e Estados Unidos, com a ajuda de pessoas (amigos ou amigos de amigos de amigos) que auxiliavam na busca pelos correspondentes. Após mais de 100 cartas enviadas para todo o mundo foi criado um compilado com 150 cartas de Toby Little e mais tarde estas foram traduzidas numa compilação brasileira, o livro, escrito pelo menino de 9 anos de idade, é a história de um projeto criado em 2013 por ele e sua mãe, Sabine, onde o objetivo e nada mais nada menos do que enviar uma carta para cada país do mundo.




Apesar de ser uma carta escrita por uma criança, Toby e Sabine decidem toda vez antes de enviar uma carta pesquisar sobre o destinatário, sobre a cultura do país, pontos turísticos ou algo realmente interessante para se perguntar. Através das respostas de cada carta percebemos a quantidade de culturas no mundo, como elas são distintas entre si, mas com pessoas que tendem tornar o mundo um lugar melhor.

O motivo de ter começado a ler este livro foi porque eu amo escrever cartas, inclusive tenho o projeto de cartas mensais que está meio parado e então li um livro de cartas da Martha Medeiros, então ler cartas reais de vários lugares do mundo seria (e foi) fascinante, ainda mais quando a curiosidade infantil aumenta em cada página, a cada nova terra conquistada, a cada novo correspondente e endereço. 




Através do site Writing to the World é possível acompanhar todas as carta já enviadas mundo a fora, porque algumas cartas demoram a ser respondidas, ou seja, o site também funciona como método de histórico. Claro que não poderia faltar uma carta do pequeno para as terras brasileiras:

“Querida Luna,

Como vai?

Você se chama Luna por causa da Luna Lovegood? Qual é o seu lugar favorito em São Paulo? Qual é a sua profissão? O que é a Festa do Figo? Você já foi? Você escuta Adoniran Barbosa? Eu gosto dele.

Tchau,
Toby”.

Logo a carta foi respondida com carinho pela brasileira:

“Oi, Toby!

Como vai?

Estou muito feliz de ser uma das muitas pessoas do mundo inteiro que se correspondem com você!Eu não me chamo Luna por causa da Luna Lovegood. Nasci alguns anos antes de serem escritos os livros da série Harry Potter. Comecei a ler o primeiro livro quando tinha dez anos de idade e já estava na faculdade quando foi lançado o último! Luna não é um nome muito comum no Brasil — significa “lua” em espanhol e italiano. Acho que o meu lugar favorito em São Paulo é o parque Ibirapuera. Você já viu fotos desse parque? Ele é muito grande e fica bem no meio da cidade, mais ou menos como o Central Park, em Nova York. Ibirapuera significa alguma coisa como “árvore caída” em tupi, a língua que os nativos falavam antes da chegada dos portugueses ao Brasil.

Existem muitos lugares com nomes tupis, mas as pessoas em geral não sabem o que significam.Sou farmacêutica e trabalho com cosméticos. Produzo protetores solares e fórmulas de maquiagem. Gosto do que faço, porque é muito dinâmico e, além disso, ainda me permite viajar para uma porção de conferências e feiras — e eu adoro viajar! Colei um mapa na parede da cabeceira da minha cama e marco lá todos os lugares que visitei.

Também coleciono postais de lugares em que estive e sempre peço para os amigos que vão viajar que me mandem postais de onde quer que estiverem.

A Festa do Figo faz parte do “Circuito das Frutas”, que é formado por dez cidades, cada uma delas famosa por produzir determinada fruta. Valinhos é a cidade do figo! Assim, em janeiro, temos a Festa do Figo, na qual podemos comprar todo tipo de coisa feita com figo, como geleias, sucos, compotas. A festa ainda inclui música, brincadeiras para as crianças e vários tipos de comida. Nas outras cidades, há a Festa da Uva, a Festa da Goiaba, a Festa do Morango e assim por diante. Festas de fruta o ano inteiro! Eu fui à Festa do Figo e à Festa da Uva algumas vezes, mas este ano perdi as duas. Se eu for no próximo ano, vou lhe mandar uma foto!Fico contente em saber que você gosta de Adoniran Barbosa. Ele foi um grande cantor e compositor. Todo mundo aqui no Brasil sabe cantar pelo menos uma canção dele. Com certeza você vai gostar também dos Demônios da Garoa, um grupo de samba que gravou muitas canções de Adoniran Barbosa. Acho que “Trem das onze” é a mais famosa…Espero que um dia você tenha a oportunidade de vir ao Brasil!

Do Brasil,
com carinho,
Luna J”.

O livro é cheio de ilustrações, recortes e coisinhas que o deixam mega fofinho. A narrativa é bem simples, dessa forma, se torna uma leitura muito rápida de fim de tarde, uma linguagem infantil deliciosa e que deixa o coração mais leve, sem dúvidas. 
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Resenha: "Senhor D ", de Alan Lightman

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Senhor D
Um romance sobre a origem do universo
Alan Lightman
Editora Companhia das Letras, 2017
176 páginas
Depois de uma longa existência no Vazio, o onipotente Senhor D. resolve experimentar e criar o tempo, o espaço e a matéria. Aos poucos, surgem também os astros celestes, as primeiras formas de vida e os seres pensantes. E com eles, os dilemas inesperados até mesmo para o Criador - que parecia ter tudo sob controle. Como lidar com os anseios e as incertezas dessas criaturas? Qual o sentido de sua existência? Até que ponto Ele consegue - e deve - intervir nesse novo mundo? Em Senhor D., Alan Lightman constrói um romance encantador e original sobre o surgimento do universo, narrado justamente pelo responsável por criá-lo. Uma fábula que discute com delicadeza questões de ciência, filosofia, religião e de nossa existência.

Ando buscando um tipo de leitura diferente do que estou acostumado, viajando entre livros clássicos e de leitura mais rebuscada ou uma pegada diferente que me faça refletir e não apenas me divertir, a vontade de ler Senhor D veio num logo quando vi a capa e o subtítulo "Um romance sobre a origem do universo". A origem do universo sempre foi algo que me fascinou, sempre tive dúvidas sobre as teoria de criacionismo e evolucionismo, porém Senhor D não é um livro que irá responder minhas perguntas e sim unir as duas teorias para criar um romance divertido e ao mesmo tempo reflexivo.


 Alan Lightman decidiu criar um romance que conta a história de Deus e a criação de algo novo, que nem mesmo o próprio Deus sabe o que é. Mostrando como é interação de Deus e o vazio do qual ele vive, Lightman acrescenta dois personagens logo no início da sua narrativa, Tio Deva e Tia Penélope, os tios do todo poderoso, que logo servirão para adicionar perspectivas que influenciaram o sobrinho na criação de um universo. 

Em Senhor D. somos presenteados com um grande desafio para o autor que é colocar Deus como um personagem (e não apenas como personagem, mas como) narrador e trabalhar com o poder divino da criação. Nessa busca de criar um personagem divido Alan cria um Deus onipotente, mas cheio de dúvidas e anseios, que não sabe o que poderá acontecer com suas criações, mesmo sabendo as possibilidade que poderá ocorrer, tais dúvidas aumentam ainda mais quando um novo personagem é acrescentado a história, o estranho Belhor.


Ao invés de Deus apenas criar a Terra, são criados diversos universos para testes, formas e dimensões, dentre esses milhares de universo Deus decide escolher um apenas para aperfeiçoar. Durante a criação, pelos olhos divinos, somos inseridos numa dimensão que o próprio Deus não sabia que poderia ocorrer, apesar de propor a criação de algo novo, não sabia o que poderia ocorrer, não sabia como a interação das coisas poderia interferir durante sua criação, como quando criou acidentalmente o tempo ou seres com consciência de si, os seres humanos - e ainda assim somos abortados com um Deus apaixonado por suas criações intencionais ou não.


O romance contém diversas referências físicas e técnicas, mas isso não impede de que o livro seja delicioso, aliás, esse é um livro com uma linguagem objetiva e que emociona o leitor ao ver Deus tão apaixonado por sua criação, a forma como ele descreve a criação das estrelas e de algo que nem ele mesmo conhece. É um romance que fala muito sobre amor ao desconhecido, sobre amar oque é nosso e que nem sempre iremos saber ter as melhores decisões, pois não sabemos as consequências que poderão ser geradas a partir de determinada escolha. É um livro curto, porém denso. 

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Memórias — Maio, 2017

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Memórias é aquela postagem de final de mês, onde ficam guardadas as boas (e porquê não as ruins?) memórias que valem a pena contar ou simplesmente refletir e agradecer. Se quiser, segue lá no instagram (@igormedeiroz@igormedeiroz) para ver mais fotinhas (selfies são bem raras)!





Estou surpreso com a quantidade de pessoas que leem esse tipo de postagem e até me pedem para escrever (ninguém pede, mas a gente faz de conta que pede sim). Mas infelizmente não trago tanta coisa nessa quinta edição de dois mil e dezessete, porque se tinha uma coisa que eu queria desse Maio era que ele passasse rápido.

Se passou rápido, já não mais sei. A expectativa do término deste mês fez com que levasse os dias numa rotina sem fim, sem fazer grandes coisas. Já aconteceu você criar um próprio sacrifício para depois se dar ao luxo? Por exemplo, você está muito afim de ler um livro porém tem dois abandonados na estante (que você começou e não terminou), então decide acabar com os não finalizados para depois se dar ao luxo de ler um livro muito desejado. Crio essas situações em diversos casos, como comer só depois de arrumar o quarto ou mexer no celular somente após colocar as roupas para bater na máquina. Se é saudável? Eu não sei, provavelmente não, ou sim, fico muito em dúvida, porque 1. faço o que tenho que fazer de qualquer forma e 2. me dou a alegria de ter conseguido o meu prêmio (comer).

Então Maio foi o meu mês de "finalizar coisas" para poder viver melhor no mês seguinte, porém (risos) me arrependi de alguma forma, não aquele arrependimento de "ó meu deus perdi a oportunidade da minha vida" e sim de "eu poderia ter aproveitado melhor", porque, assim, a lógica no parágrafo acima é até legal para coisas pequenas e urgentes. Fazer essa experiência de abrir mão de um mês inteiro, me fez perceber que não existe muito um método para viver, quero dizer, não posso e nem deveria viver um mês-mais-ou-menos para viver o próximo com mais afinco, são 30 dias inteirinhos sem proveito ou vividos pela metade.

Porém, não quer dizer que todos os meus dias não foram proveitosos. Na primeira semana do mês fiquei internado. Enquanto fiquei hospitalizado lidei com muitas histórias (acho que vou escrever sobre isso em breve) de pessoas bem diferentes de mim, foi incrível, mas também um pouco triste, acho que hospitais sempre tem aquele quê melancólico.

Para recuperar a semana parada dentro do hospital, um amigo resolveu me chamar para ir ao parque da cidade e brincar um pouco - isso me fez lembrar desde a última vez que fui ao parque para me divertir, nossa, fazia bastante tempo que não colocava um pouco de adrenalina nas veias.


Finalmente finalizei a primeira etapa do TCC (já havia falado dele aqui)  e mais um semestre da faculdade terminou, agora só me falta mais seis meses e fim. É engraçado como nos últimos meses a falta de coragem e a vontade de se formar ficam disputando dentro da gente - fico contando os dias para jogar o capelo pra cima e dormir até mais tarde.

Merci. 

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Resenha: "Amor verdadeiro", de Jude Deveraux

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Amor Verdadeiro
Jude Deveraux
Editora Essência
464 páginas
Ambientado numa ilha paradisíaca e um dos romances mais cultuados de Jude Deveraux, best-seller americana que já vendeu mais de 60 milhões de exemplares pelo mundo, o livro conta a história de Alix Madsen. Quando ela está terminando a faculdade de arquitetura, Addy Kingsley, amiga de seus pais, morre. No testamento, a mulher estipula que a jovem tem direito a viver por um ano em sua encantadora casa do século XIX na ilha de Nantucket (Massachusetts), EUA. O relacionamento de tia Addy com a família Madsen é um mistério para Alix, mas ela aceita a oferta e, ao chegar na propriedade dos Kingsley, percebe que não é má ideia passar uma temporada ali. Além de o lugar ser um sonho para qualquer arquiteto, ela conviverá com o charmoso Jared Montgomery Kingsley, dono de um dos mais importantes escritórios de arquitetura do país e sobrinho-neto de Addy, portanto, herdeiro natural da casa. O que Alix não imaginava era que tia Addy tinha um propósito muito específico para ela quando a colocou naquele lugar: solucionar o desaparecimento de Valentina, uma das mulheres da família Kingsley, ocorrido cerca de dois séculos antes. Em meio ao verão na ilha, Alix e Jared serão obrigados a conviver, o que pode ser a chave para desvendar o tal mistério dos Kingsley

Amor Verdadeiro é um romance/fantasia, foi meu primeiro contato com Jude Deveraux - a autora - e fui surpreendia de uma maneira tão deliciosa, que não poderia deixar de compartilhar com todos os leitores que conheço. Primeira surpresa: Não é um clichê qualquer. Óbvio, existe um romance fofo durante toda a história, mas também existe um mistério e muitos segredos que precisam ser revelados e a autora foi incrível na construção de todas as etapas da história. Do início ao fim fui surpreendida e amei cada parte disso.



Alix é uma recém formada em arquitetura sofrendo após um término de namoro. Além de ter que acompanhar os preparativos de Izzy - sua melhor amiga - para o seu casamento, vivendo um relacionamento muito feliz, ela recebe um testamento de Addy Kingsley, uma amiga da família, que após morrer deixou sua casa para o sobrinho, mas pediu a ela que fosse para lá viver durante um ano, pois acreditava que Alix poderia resolver o mistério que envolvia sua família. Relutante em aceitar o convite de Addy, Izzy resolveu acompanha-la a Nantucket - onde a casa estava localizada - assim, Izzy acreditava, que Alix poderia trabalhar em alguns projetos e se distrair do término do seu namoro. Porém, elas não imaginavam encontrar-se com ninguém menos que Jared Montgomery, o maior arquiteto da atualidade e muito menos imaginavam que era ele o sobrinho de Addy, agora dono da casa que Alix iria morar durante um ano inteiro.

Convivendo na mesma casa com Jared, Alix compreendeu que além de ser um dos maiores arquitetos do mundo, ele também era um homem incrível. Ambos perceberam como se davam bem e foi desencadeando-se uma paixão dentro dos dois. O problema era que Jared carregava muitos segredos. Segredos que envolviam os pais de Alix - que ele conhecia tão bem ou melhor que ela - e um avô fantasma, Caleb, a quem Jared via e conversava mesmo duzentos anos após a sua morte. Todos esses segredos prometiam afastá-los, mas o destino ou amor, provou o contrário.





Fiquei surpresa com o rumo que a história foi tomando e como a autora teve cuidado no seu desenrolar, de forma que apesar de todos os clichês, eu não pude imaginar como seria o final. Sorria o tempo inteiro durante essa leitura e apesar de ainda não saber se acredito em vida após a morte, o livro me mostrou uma maneira bonita de pensar na vida, de que possivelmente fomos destinados a estar com as pessoas que estamos, ama-las e que o amor verdadeiro não morre, nem quando nós partimos.

Caso tenha se interessado pelo livro e também queira se surpreender com a história, através do site Cupom Válido é possível conseguir descontos nas grandes livrarias, aproveita!
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6 on 6 — Junho, 2017

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6 on 6 é um projeto fotográfico mensal, que consiste em postar a cada dia 6 do mês 6 fotos com um tema e uma técnica fotográfica assim como definimos no grupo), são fotos para sair da rotina, da zona de conforto e arriscar; faço parte juntamente com outros blogueiros maravilhosos: o Lucas, a Luly. a Maíra e a Renatinha (confere as fotos deles ou clique aqui para ver as fotos dos meses anteriores).








O tema desse mês foi corpo e a técnica foi regra do corte. E pela primeira vez, tanto o tema quanto a técnica foram utilizadas, porém, como podem perceber não há uma periodicidade nas postagens, além de ficar dois meses sem postar (vergonha) estou publicando essa atrasado (novidade).
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