Resenha: "Os filhos da tempestade", de Rodrigo de Oliveira

Os filhos da tempestade
Rodrigo de Oliveira
Editora Planeta
336 páginas
Uma aventura surpreendente, em um dos lugares mais misteriosos da terra. Um grupo de jovens deixa o Rio de Janeiro com destino aos Estados Unidos. O que seria apenas uma viagem de uma Turma do conservatório de música acaba ganhando os contornos de uma tragédia: ao sobrevoar a misteriosa região do Triângulo das Bermudas, o avião é atingido por uma violenta tempestade e cai no mar. Os sobreviventes agora se veem presos numa ilha deserta, perdendo o contato com o resto do mundo. Nesse lugar paradisíaco, habitado por uma força maligna ancestral e onde se esconde um terrível segredo envolvendo uma jovem bruxa do século XVII, os garotos precisarão lutar pela própria vida, superando grandes desafios e enfrentando seus piores medos. Rodrigo de Oliveira, autor da saga As crônicas dos mortos, traz em Filhos da tempestade uma história repleta de ação, suspense e terror, de conflitos e descobertas, envolvendo um improvável triângulo amoroso que desafia a própria morte.

Esse é um livro que merece ser compartilhado. "Os filhos da tempestade", conta uma história incrivelmente surpreendente, que me deixou apaixonada - e sim - querendo muito mais. A primeira coisa que me chamou atenção, antes de ler o livro, é que a história ambientava-se na região misteriosíssima do Triângulo das Bermudas e como a lenda terrível que ronda esse local é de que aviões e embarcações que passam por lá simplesmente somem - puf! - como um passe de mágica, minha curiosidade sobre como o autor construiria sua versão desse mistério me deixou eufórica para ler sua obra. E confesso, não me arrependi.



Rodrigo, o autor, conta a história de uma turma de garotos do Rio de Janeiro que viajaria para os Estados Unidos em busca de mais conhecimento no mundo que os unia - o mundo da música. Os garotos e garotas que estavam super ansiosos para conhecer o conservatório de música, acabaram conhecendo outra realidade, completamente diferente e apavorante. Acontece que durante a viagem, justando quando sobrevoavam sobre o Triângulo das Bermudas, o avião entra em pane e aparentemente não havia mais esperanças, pois eles estavam caindo e indo direto para o mar. Apavorados, os meninos e meninas que estavam à bordo viram muitos amigos morrerem e os que conseguiram sobreviver a queda, não tinham esperança alguma de salvamento, afinal estavam em meio ao mar aberto.




Como se as coisas não pudessem ficar piores, de um modo sobrenatural, começou a formar-se um redemoinho no meio do mar e todos eles foram sugados por ele. Após acreditarem ser o fim, acordaram em uma ilha em pleno dia e vivos. Felizes por estarem salvos mas desesperados para encontrar um meio de voltar pra casa, os garotos começam a vasculhar a ilha e encontram um morador - Juan, um argentino - que após o susto de encontrar outras pessoas, torna-se amigo deles e passa a ajudá-los. Porém, apesar de lhes dar comida, um teto para que pudessem dormir e água para beber, Juan lhes dá uma notícia que abalaria para sempre suas vidas - eles estavam na Ilha do Diabo e não conseguiriam voltar para casa nunca.

Os mistérios que envolvem a ilha são muitos - o que os garotos foram descobrindo aos poucos. A ilha era linda e eles simplesmente se sentiam gratos e felizes por estarem alí, sem entender o porque de nem quererem mais voltar pra casa. A força que a ilha exercia sobre eles os transformou e muita coisa ruim estava para acontecer. Juan tentou abrir os olhos dos jovens, mas mesmo com todos os conselhos, o inevitável aconteceu, dando uma reviravolta na vida de todos, dividindo o grupo e formando os Filhos da Tempestade.



Apesar de ter escrito muita coisa, não contei metade das surpresas que esse livro cativante e muito envolvente me fizeram sentir. Juro que o motivo é somente porque não quero deixar spoiler algum para nenhum de vocês, afinal, quero que se surpreendam tão positivamente como eu me surpreendi. É uma leitura gostosa, rápida e que me deixou com o coração acelerado. Muita ação, romance, suspense e até certo toque de terror, com um final surpreendente e muito inteligente, Rodrigo Oliveira me deixou cheia de vontade de ler mais obras dele e torcendo para haver continuação dessa em específico.

Livro oferecido através de parceria com a Editora.


Resenha: "O ano em que morri em Nova York", de Milly Lacombe

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O ano em que morri em Nova York
Milly Lacombe
Editora Planeta
256 páginas
Romance de estreia de uma das principais ativistas LGBTT do país, numa mistura de amor a si próprio A protagonista deste romance vai do paraíso ao inferno em poucas páginas. Casada com a mulher que ama, ela suspeita de que tenha sido traída durante uma de suas viagens de negócios. A angústia de não saber o que se passa, o medo de perguntar, desconfiança e a dúvida, que nunca tiveram espaço na relação – considerada perfeita pelos amigos –, agora rondam o casal. Mas será mesmo que a traição existiu? Ou era o amor que estava minguando? O ano em que morri em Nova York não é só a história de um casamento desfeito por conta de uma suposta traição. Estas páginas trazem a trajetória de uma mulher desde a sua redescoberta até o doloroso rompimento. Uma mulher que assume sua orientação sexual tardiamente, e que luta para fazer a família entender, os amigos apoiarem e os colegas de trabalho aceitarem. Jornalista que se tornou ativista das causas LGBTT, Milly Lacombe cria neste seu primeiro romance, com viés autobiográfico, uma história densa, mas aliviada pelo humor. Um livro que é também uma viagem de autoconhecimento, e, acima de tudo, uma história de amor a si próprio.

Essa é uma história sobre autoconhecimento e acima de tudo, a descoberta de que devemos primeiramente nos amar, para só depois de transbordarmos em amor próprio amarmos verdadeiramente outra pessoa. "O ano em que morri em Nova York", conta a história de uma mulher adulta e lésbica, sempre segura de si e vinda de muitos relacionamentos que nunca a fizeram mal algum, muito pelo contrário. Ela considerava-se atraente e conquistadora, do tipo que sai de qualquer relacionamento bem e se possível com outro engatilhado. Porém, a autoestima e amor próprio da protagonista vão embora quando a suspeita de uma traição começa a assombrá-la.



Vivendo um relacionamento lésbico de muitíssimos anos com Tereza, morando em Nova York e vivendo dos frilas como escritora, ela recebe a notícia de que sua ex namorada - e então melhor amiga, Simone - está com câncer. A notícia abalou seu psicológico e estando sozinha, pois Tereza viajava à trabalho, mergulhou em um mundo de dor e desconfiança, tornando-se insegura e incapaz de fazer algo sem chorar. O problema é que o peso da possível traição não ficou apenas em sua cabeça e suas atitudes - antigamente tão segura de si - modificaram-se e aquilo acabou deixando o relacionamento cada vez mais complicado de engolir, para ambas. Vendo o relacionamento antes tão firme e cheio de amor transformar-se em dúvidas e insegurança, ela resolve voltar ao Brasil.

Se meu instinto animal era o de jamais deixar você, se você era necessidade, então seria natural supor que, vivendo como escrava desse instinto, eu exerceria minha liberdade agindo de outra forma que não fosse aceitando a necessidade de você, e isso significaria ter a coragem de tirar meus livros da estante, minhas roupas do armário, colocar tudo em malas e ir embora. Agir por dever e contra meus instintos,
essa era uma experiência nova pra mim.

Ao encontrar-se novamente em seu país, ela percebe quão perdida está. Com pouquíssimo dinheiro, sofrendo com o fim de algo que parecia eterno e com saudade da vida que vivia, foi convencida pela amiga Paola a viver uma experiência de autoconhecimento na Amazônia, onde um grupo de pessoas se reuniria para fazer ioga e participar de rituais curativos e que no final garantia a resposta para uma pergunta que a torturava "quem sou eu?". Junto com Paola e outras pessoas que foram participar das atividades, ela vive experiências malucas e ao mesmo tempo emocionantes e pouco a pouco vai retornando a sentir-se ela mesma. Descobrindo, inclusive, como a influência do pai em sua vida a transformava em uma pessoa sem ambições e presa a opinião dos outros.



O livro aborda assuntos que foram novos pra mim, como a existência de grupos que buscam o autoconhecimento e rituais místicos que buscam promover um encontro de corpo e alma. Foi uma leitura um pouco difícil pra mim, pois possuiu pouquíssimos diálogos e é contado em primeira pessoa, de forma a parecer um diálogo só - gigante - entre a autora e o leitor, o que pra mim foi um ponto negativo. Porém, a autora trás muitos temas interessantes e deixa muitas reflexões pra todos que têm um relacionamento amoroso ou que buscam um. Principalmente, a importância de nos conhecermos e nos amarmos em primeiro lugar, para só então conhecermos e amarmos o outro.

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Um brinde à amnésia

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Não é fácil pensar no futuro. Estaremos juntos? Teremos realizado todos os planos, sonhos, promessas e ambições? Não é o pensamento mais agradável do mundo, confesso. Mas ainda podemos conviver com o “o que vai ser?”. Porém, a armadilha que ninguém deveria cair é a de pensar no passado. Os amores dele do passado, os beijos dele do passado, as tantas bocas, roupas tiradas, mãos dadas e troca de olhares. Os destinos visitados com outras pessoas, as lembranças (principalmente as felizes) sem você. Os apelidos fofos trocados, os planos de ficarem juntos pra sempre - como seria a casa, quantos filhos, teriam cachorros?

Se eu não tivesse aparecido e te aberto os olhos. Se eu não tivesse te mostrado que aquilo não era tudo, que você merecia mais. Se eu não tivesse, por um impulso de loucura, te dito sim. Se não tivéssemos mergulhado um no outro, eu que nunca quis passar da tua superfície. Se não. Se...

Por tão pouco. Quase...

Ideal mesmo era apagar, começar do zero. Feliz é quem não é sugado pelo que já foi e que não se deixa maltratar pelo que será. Feliz é o que esquece, que se presenteia a amnésia pra tocar o presente e se sentir presenteado e só. Brindemos à amnésia - aos que se permitem recomeçar.
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Resenha: "Ovelha — Memórias de um pastor gay", de Gustavo Magnani

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Ovelha — Memórias de um pastor gay
Gustavo Magnani
Editora Geração, 2015
227 páginas
Este livro, estreia impressionante de um jovem e talentoso escritor, é o relato pecaminoso de um decadente. A história de um homem religioso e carismático, temente a Deus, mas amante insaciável de sua própria carne exótica, a carne de outros homens. Um pastor gay, casado com uma ex-prostituta, filho de uma fanática religiosa. Neurótico e depravado. E agora condenado. Internado num hospital, debilitado e com um segredo de uma tonelada nas costas, este personagem atormentado decide libertar-se de seus demônios e relatar seu drama. Num relato cru e sem censura, ele literalmente vomita seus trinta anos de calvário e charlatanice na cara da congregação (e de qualquer um que se interesse por um bom inferno). Sexo, paranoia, corrupção e destruição são os ingredientes tóxicos dessa obra provocante, polêmica e inovadora.
Essa é uma resenha que perdurou por meses nos meus rascunhos, mas agora consigo escrever sobre Ovelha, um livro que chegou à mim sem eu ao menos imaginar, me assustando de início com título e me deixando intrigado com o que poderia ser abordado nesta drama, afinal, são dois temas bastantes recorrente no Brasil: religião e homossexualidade. O livro é a estreia de um autor brilhante, Gustavo Magnani é o fundador de um dos maiores sites de literatura brasileira, então, não há como esperar algo além de maravilhoso.



Assim como o subtítulo sugere, o livro é contado através de memórias soltas da vida de um pastor homossexual. Narrado em primeira pessoa, a história alterna entre o presente e o passado, mostrando um homem que se esconde atrás da religião, contudo, mesmo tendo consciência do pecado que cometia, não deixou de viver as experiências que eram oferecidas - casou-se com uma mulher, teve filhos, mas manteve uma vida dupla, onde escondia as facetas de quem realmente era.





Essa resenha está há mais de dois anos para ser escrita e acredito que não teria conseguido falar desse livro antes, ainda quando eu mal compreendia o mundo LGBTQ+. Lembro-me da repulsa em que sentia em ler algumas partes do livro, cenas que eram sexuais demais, mas que hoje consigo compreender um pouco melhor o que o autor quis passar: o desejo reprimido de um homem que quis agradar as pessoas que estavam a sua volta. 

Esse é um exemplar muito bom, porque quando temos um personagem imposto sem condições de escolha numa "sociedade" religiosa, conseguimos visualizar uma limitação em cima daquele ser, como se não houvesse alternativa a não ser hétero, homem, o pastor. Sendo isso algo que ocorreu durante muito tempo, pessoas que negaram a si mesmas e viveram uma vida dupla, ou, pior ainda, viveram um final de infelicidade. 

Se não me engano, o Pastor (que não lembro o nome), está próximo a morte, então lembrar das suas descobertas ao lado de homens, desejos e coisas afins, mostra o que  realmente o fazia feliz, porque aliás essas são as lembranças antes da triste hora. É, então, um livro que fala sobre autoaceitação além de tudo, as cenas sexuais foram, sem dúvidas, uma faxada para mostrar um tema que ocorreu bastante há um tempo atrás e que hoje, infelizmente, ainda ocorre. 



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Resenha: "A Imortalidade", de Milan Kundera

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A Imortalidade
Milan Kundera
Editora Companhia das Letras
408 páginas
A partir do gesto que uma mulher faz a seu professor de natação quando sai da piscina, a personagem Agnes surge na mente de um autor chamado Kundera. Como a Emma de Flaubert ou a Anna de Tolstoi, a Agnes de Kundera se torna objeto de fascínio e de uma busca insondável. Ao imaginar o cotidiano dessa personagem, o narrador-autor dá corpo a um romance em sete partes, que intercala as histórias de Agnes, seu marido Paul e sua irmã Laura com uma narrativa retirada da história da literatura: a relação de Goethe e Bettina von Arnim.

Com seus personagens reais e inventados, Kundera reflete sobre a vida moderna, a sociedade e a cultura ocidentais, o culto da sentimentalidade, a diferença entre essência individual e imagem pública individual, os conflitos entre realidade e aparência, as variedades de amor e de desejo sexual, a importância da fama e da celebridade, e a típica busca humana pela imortalidade.
Em um diálogo ficcional entre Goethe e Hemingway, este diz “Em vez de ler meus livros, escrevem livros sobre mim.”, ao que aquele responde: “A imortalidade é um eterno processo.”. Se a morte está presente na trajetória de Agnes, também está na inclusão desses personagens já mortos, mas imortais, do cânone literário. “A morte e a imortalidade”, diz Kundera, “formam uma dupla indivisível, mais bela que Marx e Engels, que Romeu e Julieta, que Laurel e Hardy”. Com a leitura de sua obra, que explora a fundo os grandes temas da existência humana, podemos afirmar que o autor de A insustentável leveza do ser já garantiu seu lugar no panteão dos imortais.

“Brilhante, mordaz, forte, hipnótico.” - The New York Times
​Quando comecei a ler "A Imortalidade", só havia um sentimento de euforia dentro de mim, afinal, tinha acabado de ler um livro (A Festa da Insignificância) do autor e adorado, logo as expectativas serem excedidas – assim pensava. Porém, sempre há alguns poréns, a obra foi se tornando pacata e um pouco confusa, o que foi me levando a algumas tentativas até abandona-lo, ainda que tenha começado outro livro do autor no mesmo período, o tão famoso "A insustentável leveza do ser".


Já aconteceu comigo, de pegar algumas fotos antigas da família e sair perguntando quem eram aqueles que estavam na foto, algumas vezes essas perguntas não recebiam respostas, porque aqueles pessoas já estavam mortas ou simplesmente porque caíram no esquecimento, como a morte por cima de outra morte. É óbvio que essas pessoas deixaram lembranças dentro de outra pessoas e até mesmo tenham feito algo em prol da sociedade, mas, que com que o tempo, está fadado ao esquecimento. Nesse romance o tema é totalmente o oposto, o autor deseja mostrar a nuance da, como o próprio título sugere, imortalidade.

"A Imortalidade" me fez amar suas 150 primeiras páginas, onde Kundera mostra ali a necessidade crível do homem em se tornar imortal, como escritores consagrados, detentores de conhecimento (físicos, matemáticos, blá blá blá), pintores, artistas, etc. Dessa forma o autor aborda uma história simples daquele que deseja alcançar a imortalidade, além de inserir, como de costume do Milan Kundera, histórias secundárias para enlaçar em apenas um enredo no final.


A medida em que o autor apresenta os personagens e decide intercalar entre o passado e o presente, o real e irreal, ficção e não ficção: em fatos corriqueiros normais, cenas simples e que nunca me deixam extasiados como os outros volumes do autor faziam. Claro, que, é uma obra densa e contém um conteúdo muito bom, mas apenas não funcionou para mim, os fatídicos se tornaram obsoletos a cada nova tentativa após as 150 páginas lidas, o sentimento filosófico perdeu o sentido para mim e não consegui mais engatar na história.

Odeio abandonar livros, contudo que o último livro que abandonei (e ainda consegui lê-lo) foi a Tormenta em 2013, mas senti que "A Imortalidade" estava me atrasando na vida literária, um embuste que estava carregando pela consciência de "não poder abandonar um clássico" e que já tinha oferecido o suficiente para seguir em frente com outras leituras – ainda acredito que uma dia retome a leitura e tenha uma ideia diferente, mas hoje é isso que ocorreu: abandonei. E o engraçado é que mesmo abandonando este livro, resolvi ainda na mesma semana começar outro livro do autor (que inclusive já terminei) e a sensação foi maravilhosa, uma leitura rica e cheia de lições para vida.

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// 16 Jul 2017

​ Não me diga que achou que eu iria ficar esperando você

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Não me diga que pensou que meu amor permitiria que você fosse embora, fizesse a festa e voltasse. Em algum tempo da minha vida pensei que isso poderia acontecer, meu sentimento estava quente e lhe perdoaria sem dúvida, porque quando a gente ama é o isso que a gente faz, perdoa.

Você não retornou minhas ligações, nem respondeu meus e-mails, lhe digitei letra à letra meu sentimento, registrei em história. Me prendi a esperança de um dia te conquistar, que fosse suficiente para seu beijo selvagem, de te fazer voltar. E depois de alguns meses, você voltou. Voltou com sede ao pote, me chamando de amor, falando que fez a burrada do século e perdeu a pessoa maravilhosa que tinha conhecido. Foi um trunfo, você voltou.

Quando as expectativas sumiram, quando minha vida se ajeitou, quando cortei o cabelo, quando comecei a conhecer outra pessoa, você voltou. E eu me lembrei do quanto brincávamos, o quanto tinha compartilhado da minha vida com você e os segredos que enraizamos. Lembrei da menina que deixou meses atrás e também lembrei do meu sentimento por você. Você voltou quando eu já não mais esperava, quando eu já havia perdido a vontade de estar acompanhada por seu abraço, pelos dedos entrelaçados.

Mas você voltou na hora certa, quando precisei perdoa-lo para me sentir livre, o que já fazia meses que eu sentia. Você voltou na hora em que meu coração já não mais acelerava por você, que meus olhos não refletiam o mesmo brilho. E você voltar me fez bem, porque eu jamais acharia ultrapassaria o sentimento que senti por você. Percebi que a vida tem dessas coisas, pregar peças. Talvez você voltar não tenha sido muito bom também, afinal, não sobrou muito além do carinho e respeito.
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Resenha: "Pablo Escobar Em Flagrante", de Juan Pablo Escobar

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Pablo Escobar em Flagrante
Juan Pablo Escobar
Editora Planeta
256 páginas
Quando parecia que tudo já havia sido revelado, eis que surgem novos e surpreendentes fatos sobre Pablo Escobar. Com o sucesso do seu primeiro livro – Pablo Escobar, meu pai – Juan Pablo percorreu a Colômbia e outros países da América Latina fazendo lançamentos e palestras. Nessas suas andanças, descobriu muita coisa que não sabia. E alguns personagens que haviam se recusado a conversar com ele, resolveram falar. O resultado é um retrato ainda mais minucioso do maior traficante das américas. Entre as novidades, Juan Pablo conta onde e com quem o pai estava quando seus pistoleiros assassinaram o ministro da Justiça Rodrigo Bonilla. Também expõe as minúcias de sua relação com o grupo rebelde M-19 e com o Barry Seal, piloto da CIA e informante da DEA. Mas foram as alianças macabras com a corrupção internacional que deixaram o filho assustado. “Confesso que fiquei com medo de trazê-las a público”, afirma ele.


Pablo Escobar em Flagrante - o que meu pai nunca contou, é o segundo livro e Juan Pablo Escobar sobre seu pai, Pablo Escobar, conhecido mundialmente como um dos maiores narcotraficantes da Colômbia. Juan acreditava ter escrito tudo que sabia sobre o pai no primeiro livro escrito sobre o mesmo, intitulado "Pablo Escobar Meu Pai", porém após conseguir encontrar e conversar com muitos personagens da vida que o pai levava, sentiu a necessidade de escrever outro livro, mesmo com medo do que essas revelações poderiam lhe causar. O livro também trás um acervo de fotos exclusivo de Pablo, o que deixa-o ainda mais interessante.





Juan Pablo encontrou-se com pessoas diretamente ligadas a história de seu pai, como filhos de homens assassinados em nome de Pablo Escobar, capangas de seu pai na época e até vítimas de atentados feitos pelo grande chefe do tráfico naquela época. Segundo Juan, sua intenção ao relatar as verdades sobre o seu pai é que as pessoas enxerguem o quanto a vida de um traficante é complicada e muitas vezes fatal. Seus relatos sobre a forma que viviam - sempre cheios de seguranças e mudando-se de casa em casa por conta dos atentados contra suas vidas - são cheios de emoção e contam o lado ruim da história de Pablo Escobar. Segundo Juan, os filmes e séries que relatam a vida de seu pai são mentirosos, pois mostram Pablo como um super-herói, alguém que todos gostariam de conhecer ou até mesmo se tornar igual. Inclusive, ele relata os muitos erros da série "Narcos", produção feita pela Netflix sobre a história de seu pai.




Dessa forma, o filho de Pablo Escobar escolheu viver uma vida completamente diferente da do pai. Apesar de amá-lo incondicionalmente, não considera-o alguém para se espelhar, afinal de contas, viveu e fez com que sua família vivesse anos de angústia e medo da morte - como foi o seu próprio final. Juan acredita ter a missão de desmistificar a vida maravilhosa que as produções cinematográficas insistem em pintar sobre a vida do pai e além dos livros que escreveu realiza palestras para aconselhar os jovens a não entrarem nesse mundo que só apresenta malefícios.



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