Um brinde à amnésia



Não é fácil pensar no futuro. Estaremos juntos? Teremos realizado todos os planos, sonhos, promessas e ambições? Não é o pensamento mais agradável do mundo, confesso. Mas ainda podemos conviver com o “o que vai ser?”. Porém, a armadilha que ninguém deveria cair é a de pensar no passado. Os amores dele do passado, os beijos dele do passado, as tantas bocas, roupas tiradas, mãos dadas e troca de olhares. Os destinos visitados com outras pessoas, as lembranças (principalmente as felizes) sem você. Os apelidos fofos trocados, os planos de ficarem juntos pra sempre - como seria a casa, quantos filhos, teriam cachorros?

Se eu não tivesse aparecido e te aberto os olhos. Se eu não tivesse te mostrado que aquilo não era tudo, que você merecia mais. Se eu não tivesse, por um impulso de loucura, te dito sim. Se não tivéssemos mergulhado um no outro, eu que nunca quis passar da tua superfície. Se não. Se...

Por tão pouco. Quase...

Ideal mesmo era apagar, começar do zero. Feliz é quem não é sugado pelo que já foi e que não se deixa maltratar pelo que será. Feliz é o que esquece, que se presenteia a amnésia pra tocar o presente e se sentir presenteado e só. Brindemos à amnésia - aos que se permitem recomeçar.


Resenha: "Ovelha — Memórias de um pastor gay", de Gustavo Magnani

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Ovelha — Memórias de um pastor gay
Gustavo Magnani
Editora Geração, 2015
227 páginas
Este livro, estreia impressionante de um jovem e talentoso escritor, é o relato pecaminoso de um decadente. A história de um homem religioso e carismático, temente a Deus, mas amante insaciável de sua própria carne exótica, a carne de outros homens. Um pastor gay, casado com uma ex-prostituta, filho de uma fanática religiosa. Neurótico e depravado. E agora condenado. Internado num hospital, debilitado e com um segredo de uma tonelada nas costas, este personagem atormentado decide libertar-se de seus demônios e relatar seu drama. Num relato cru e sem censura, ele literalmente vomita seus trinta anos de calvário e charlatanice na cara da congregação (e de qualquer um que se interesse por um bom inferno). Sexo, paranoia, corrupção e destruição são os ingredientes tóxicos dessa obra provocante, polêmica e inovadora.
Essa é uma resenha que perdurou por meses nos meus rascunhos, mas agora consigo escrever sobre Ovelha, um livro que chegou à mim sem eu ao menos imaginar, me assustando de início com título e me deixando intrigado com o que poderia ser abordado nesta drama, afinal, são dois temas bastantes recorrente no Brasil: religião e homossexualidade. O livro é a estreia de um autor brilhante, Gustavo Magnani é o fundador de um dos maiores sites de literatura brasileira, então, não há como esperar algo além de maravilhoso.



Assim como o subtítulo sugere, o livro é contado através de memórias soltas da vida de um pastor homossexual. Narrado em primeira pessoa, a história alterna entre o presente e o passado, mostrando um homem que se esconde atrás da religião, contudo, mesmo tendo consciência do pecado que cometia, não deixou de viver as experiências que eram oferecidas - casou-se com uma mulher, teve filhos, mas manteve uma vida dupla, onde escondia as facetas de quem realmente era.





Essa resenha está há mais de dois anos para ser escrita e acredito que não teria conseguido falar desse livro antes, ainda quando eu mal compreendia o mundo LGBTQ+. Lembro-me da repulsa em que sentia em ler algumas partes do livro, cenas que eram sexuais demais, mas que hoje consigo compreender um pouco melhor o que o autor quis passar: o desejo reprimido de um homem que quis agradar as pessoas que estavam a sua volta. 

Esse é um exemplar muito bom, porque quando temos um personagem imposto sem condições de escolha numa "sociedade" religiosa, conseguimos visualizar uma limitação em cima daquele ser, como se não houvesse alternativa a não ser hétero, homem, o pastor. Sendo isso algo que ocorreu durante muito tempo, pessoas que negaram a si mesmas e viveram uma vida dupla, ou, pior ainda, viveram um final de infelicidade. 

Se não me engano, o Pastor (que não lembro o nome), está próximo a morte, então lembrar das suas descobertas ao lado de homens, desejos e coisas afins, mostra o que  realmente o fazia feliz, porque aliás essas são as lembranças antes da triste hora. É, então, um livro que fala sobre autoaceitação além de tudo, as cenas sexuais foram, sem dúvidas, uma faxada para mostrar um tema que ocorreu bastante há um tempo atrás e que hoje, infelizmente, ainda ocorre. 





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Resenha: "A Imortalidade", de Milan Kundera

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A Imortalidade
Milan Kundera
Editora Companhia das Letras
408 páginas
A partir do gesto que uma mulher faz a seu professor de natação quando sai da piscina, a personagem Agnes surge na mente de um autor chamado Kundera. Como a Emma de Flaubert ou a Anna de Tolstoi, a Agnes de Kundera se torna objeto de fascínio e de uma busca insondável. Ao imaginar o cotidiano dessa personagem, o narrador-autor dá corpo a um romance em sete partes, que intercala as histórias de Agnes, seu marido Paul e sua irmã Laura com uma narrativa retirada da história da literatura: a relação de Goethe e Bettina von Arnim.

Com seus personagens reais e inventados, Kundera reflete sobre a vida moderna, a sociedade e a cultura ocidentais, o culto da sentimentalidade, a diferença entre essência individual e imagem pública individual, os conflitos entre realidade e aparência, as variedades de amor e de desejo sexual, a importância da fama e da celebridade, e a típica busca humana pela imortalidade.
Em um diálogo ficcional entre Goethe e Hemingway, este diz “Em vez de ler meus livros, escrevem livros sobre mim.”, ao que aquele responde: “A imortalidade é um eterno processo.”. Se a morte está presente na trajetória de Agnes, também está na inclusão desses personagens já mortos, mas imortais, do cânone literário. “A morte e a imortalidade”, diz Kundera, “formam uma dupla indivisível, mais bela que Marx e Engels, que Romeu e Julieta, que Laurel e Hardy”. Com a leitura de sua obra, que explora a fundo os grandes temas da existência humana, podemos afirmar que o autor de A insustentável leveza do ser já garantiu seu lugar no panteão dos imortais.

“Brilhante, mordaz, forte, hipnótico.” - The New York Times
​Quando comecei a ler "A Imortalidade", só havia um sentimento de euforia dentro de mim, afinal, tinha acabado de ler um livro (A Festa da Insignificância) do autor e adorado, logo as expectativas serem excedidas – assim pensava. Porém, sempre há alguns poréns, a obra foi se tornando pacata e um pouco confusa, o que foi me levando a algumas tentativas até abandona-lo, ainda que tenha começado outro livro do autor no mesmo período, o tão famoso "A insustentável leveza do ser".


Já aconteceu comigo, de pegar algumas fotos antigas da família e sair perguntando quem eram aqueles que estavam na foto, algumas vezes essas perguntas não recebiam respostas, porque aqueles pessoas já estavam mortas ou simplesmente porque caíram no esquecimento, como a morte por cima de outra morte. É óbvio que essas pessoas deixaram lembranças dentro de outra pessoas e até mesmo tenham feito algo em prol da sociedade, mas, que com que o tempo, está fadado ao esquecimento. Nesse romance o tema é totalmente o oposto, o autor deseja mostrar a nuance da, como o próprio título sugere, imortalidade.

"A Imortalidade" me fez amar suas 150 primeiras páginas, onde Kundera mostra ali a necessidade crível do homem em se tornar imortal, como escritores consagrados, detentores de conhecimento (físicos, matemáticos, blá blá blá), pintores, artistas, etc. Dessa forma o autor aborda uma história simples daquele que deseja alcançar a imortalidade, além de inserir, como de costume do Milan Kundera, histórias secundárias para enlaçar em apenas um enredo no final.


A medida em que o autor apresenta os personagens e decide intercalar entre o passado e o presente, o real e irreal, ficção e não ficção: em fatos corriqueiros normais, cenas simples e que nunca me deixam extasiados como os outros volumes do autor faziam. Claro, que, é uma obra densa e contém um conteúdo muito bom, mas apenas não funcionou para mim, os fatídicos se tornaram obsoletos a cada nova tentativa após as 150 páginas lidas, o sentimento filosófico perdeu o sentido para mim e não consegui mais engatar na história.

Odeio abandonar livros, contudo que o último livro que abandonei (e ainda consegui lê-lo) foi a Tormenta em 2013, mas senti que "A Imortalidade" estava me atrasando na vida literária, um embuste que estava carregando pela consciência de "não poder abandonar um clássico" e que já tinha oferecido o suficiente para seguir em frente com outras leituras – ainda acredito que uma dia retome a leitura e tenha uma ideia diferente, mas hoje é isso que ocorreu: abandonei. E o engraçado é que mesmo abandonando este livro, resolvi ainda na mesma semana começar outro livro do autor (que inclusive já terminei) e a sensação foi maravilhosa, uma leitura rica e cheia de lições para vida.

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// 16 Jul 2017

​ Não me diga que achou que eu iria ficar esperando você

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Não me diga que pensou que meu amor permitiria que você fosse embora, fizesse a festa e voltasse. Em algum tempo da minha vida pensei que isso poderia acontecer, meu sentimento estava quente e lhe perdoaria sem dúvida, porque quando a gente ama é o isso que a gente faz, perdoa.

Você não retornou minhas ligações, nem respondeu meus e-mails, lhe digitei letra à letra meu sentimento, registrei em história. Me prendi a esperança de um dia te conquistar, que fosse suficiente para seu beijo selvagem, de te fazer voltar. E depois de alguns meses, você voltou. Voltou com sede ao pote, me chamando de amor, falando que fez a burrada do século e perdeu a pessoa maravilhosa que tinha conhecido. Foi um trunfo, você voltou.

Quando as expectativas sumiram, quando minha vida se ajeitou, quando cortei o cabelo, quando comecei a conhecer outra pessoa, você voltou. E eu me lembrei do quanto brincávamos, o quanto tinha compartilhado da minha vida com você e os segredos que enraizamos. Lembrei da menina que deixou meses atrás e também lembrei do meu sentimento por você. Você voltou quando eu já não mais esperava, quando eu já havia perdido a vontade de estar acompanhada por seu abraço, pelos dedos entrelaçados.

Mas você voltou na hora certa, quando precisei perdoa-lo para me sentir livre, o que já fazia meses que eu sentia. Você voltou na hora em que meu coração já não mais acelerava por você, que meus olhos não refletiam o mesmo brilho. E você voltar me fez bem, porque eu jamais acharia ultrapassaria o sentimento que senti por você. Percebi que a vida tem dessas coisas, pregar peças. Talvez você voltar não tenha sido muito bom também, afinal, não sobrou muito além do carinho e respeito.
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Resenha: "Pablo Escobar Em Flagrante", de Juan Pablo Escobar

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Pablo Escobar em Flagrante
Juan Pablo Escobar
Editora Planeta
256 páginas
Quando parecia que tudo já havia sido revelado, eis que surgem novos e surpreendentes fatos sobre Pablo Escobar. Com o sucesso do seu primeiro livro – Pablo Escobar, meu pai – Juan Pablo percorreu a Colômbia e outros países da América Latina fazendo lançamentos e palestras. Nessas suas andanças, descobriu muita coisa que não sabia. E alguns personagens que haviam se recusado a conversar com ele, resolveram falar. O resultado é um retrato ainda mais minucioso do maior traficante das américas. Entre as novidades, Juan Pablo conta onde e com quem o pai estava quando seus pistoleiros assassinaram o ministro da Justiça Rodrigo Bonilla. Também expõe as minúcias de sua relação com o grupo rebelde M-19 e com o Barry Seal, piloto da CIA e informante da DEA. Mas foram as alianças macabras com a corrupção internacional que deixaram o filho assustado. “Confesso que fiquei com medo de trazê-las a público”, afirma ele.


Pablo Escobar em Flagrante - o que meu pai nunca contou, é o segundo livro e Juan Pablo Escobar sobre seu pai, Pablo Escobar, conhecido mundialmente como um dos maiores narcotraficantes da Colômbia. Juan acreditava ter escrito tudo que sabia sobre o pai no primeiro livro escrito sobre o mesmo, intitulado "Pablo Escobar Meu Pai", porém após conseguir encontrar e conversar com muitos personagens da vida que o pai levava, sentiu a necessidade de escrever outro livro, mesmo com medo do que essas revelações poderiam lhe causar. O livro também trás um acervo de fotos exclusivo de Pablo, o que deixa-o ainda mais interessante.





Juan Pablo encontrou-se com pessoas diretamente ligadas a história de seu pai, como filhos de homens assassinados em nome de Pablo Escobar, capangas de seu pai na época e até vítimas de atentados feitos pelo grande chefe do tráfico naquela época. Segundo Juan, sua intenção ao relatar as verdades sobre o seu pai é que as pessoas enxerguem o quanto a vida de um traficante é complicada e muitas vezes fatal. Seus relatos sobre a forma que viviam - sempre cheios de seguranças e mudando-se de casa em casa por conta dos atentados contra suas vidas - são cheios de emoção e contam o lado ruim da história de Pablo Escobar. Segundo Juan, os filmes e séries que relatam a vida de seu pai são mentirosos, pois mostram Pablo como um super-herói, alguém que todos gostariam de conhecer ou até mesmo se tornar igual. Inclusive, ele relata os muitos erros da série "Narcos", produção feita pela Netflix sobre a história de seu pai.




Dessa forma, o filho de Pablo Escobar escolheu viver uma vida completamente diferente da do pai. Apesar de amá-lo incondicionalmente, não considera-o alguém para se espelhar, afinal de contas, viveu e fez com que sua família vivesse anos de angústia e medo da morte - como foi o seu próprio final. Juan acredita ter a missão de desmistificar a vida maravilhosa que as produções cinematográficas insistem em pintar sobre a vida do pai e além dos livros que escreveu realiza palestras para aconselhar os jovens a não entrarem nesse mundo que só apresenta malefícios.



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Livro oferecido através de parceria com a Editora.
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Resenha: "Um estranho numa terra estranha", de Robert A. Heinlein

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Um Estranho numa Terra Estranha
Robert A. Heinlein
Editora Aleph
569 páginas
Valentine Michael Smith é um humano criado em Marte. Ao ser trazido à Terra, ele entra em contato pela primeira vez com seus iguais e se esforça para entender os costumes, a moral e as regras sociais que definem os estranhos terráqueos. Em meio a diversas barreiras, o homem de Marte se esforça para grokar esse mundo tão alienígena a ele, enquanto procura explicar à humanidade seus próprios conceitos fundamentais, bem como suas concepções de amor e respeito.

Ler esse livro foi uma experiência bem louca e eu tinha que começar essa resenha deixando isso bem claro. Um estranho numa terra estranha, é um livro bem diferente de tudo que já li. Conta a história de Valentine Michael Smith, um humano que nasceu em Marte. Isso aconteceu quando astronautas foram a Marte em uma tentativa de mostrar ser possível a estadia de terráqueos por lá. O que aconteceu é que mesmo após muitos estudos sobre que tipo de pessoas seriam adequados para esse teste em outro planeta e vários casais serem selecionados - sendo eles das mais diversas profissões - o inesperado aconteceu. Uma das astronautas acabou engravidando de um dos seus colegas e não de seu marido. A confusão foi tamanha que algumas pessoas acabaram morrendo, porém Smith nasceu e foi criado pelos marcianos.




Só depois de muitos anos, Smith já sendo um homem, outra nave foi mandada à Marte e foi uma grande surpresa para o governo e para a NASA a existência de Smith, que passou a ser conhecido como "O homem de marte". Com a permissão dos marcianos e a vontade dos astronautas e do próprio Smith, eles o levaram à terra, onde o governo tentou deixá-lo recluso. Porém, Ben Caxton - jornalista e super interessado em ser o primeiro a entrevistar o homem de marte - convence Jill - uma enfermeira que trabalhava no hospital onde Smith se recuperava - a tirá-lo das garras do governo e deixá-lo decidir sobre sua própria vida.



Em meio a muita confusão, Mike Smith tenta compreender seus iguais humanos, ou "grokar" como ele se expressava. Tudo é extremamente diferente na terra - os costumes, as regras, etc - e para Mike foi um alívio encontrar pessoas como Jill, Ben e principalmente Jubal que por ser médico, advogado e ter bastante dinheiro, conseguiu ajudá-lo dizendo ser seu advogado e responsável por ele, além de ensiná-lo tudo que conhecia, desde a falar a língua corretamente à entender religião, filosofia, amor, sexo e tudo aquilo que para Mike era novo e estranho.

"- Bobagem! Jill, de todas as asneiras que distorcem o mundo, o conceito de altruísmo é a pior. As pessoas fazem o que querem, todas as vezes. Se elas sofrem ao fazer uma escolha, se essa escolha parece ser um "sacrifício"; você pode ter certeza de que não é nobreza maior que o desconforto causado pela ganância... a necessidade de escolher entre duas coisas quando você não poder ter ambas. O sujeito comum sofre toda vez que escolhe entre gastar um tostão em cerveja ou guardar a grana para os filhos, entre se levantar para ir trabalhar ou perder o emprego. Só que ele sempre escolhe o que machuca menos ou delicia mais. O vigarista e o santo tomam as mesmas decisões em uma escala maior. (...)"




O livro trás muitas reflexões sobre o que é certo e errado e principalmente discussões sobre religião e o que entendemos sobre quem é Deus. É uma leitura mais difícil, com termos e filosofias que são necessárias maior atenção para que captemos a mensagem como ela deve ser captada. De suma, é um livro que além de trazer uma história fictícia muito bem elaborada e de tirar o fôlego, nos deixa muitas mensagens para refletir e procurar entender o que ainda não encontramos respostas nesse mundo em que vivemos.
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Resenha: "Tempestade de Cristal", de Morgan Rhodes

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Tempestade de Cristal
A Queda dos Reinos, volume 05.
Morgan Rhodes
Editora Seguinte, 2017
408 páginas
Mítica está sob o controle do Império Kraeshiano, mas talvez nem o amor mais puro consiga combater a mais forte das magias.

Amara, a implacável imperatriz de Kraeshia, assumiu o trono de Mítica, e um sentimento de incerteza paira sobre Paelsia, Limeros e Auranos. Então Magnus e Cleo procuram um jeito de retomar o poder. Assim, acabam seguindo Gaius até a casa de Selia, sua mãe exilada. A avó de Magnus é uma bruxa poderosa que pode ajudar a liberar a magia dos cristais da Tétrade e recuperar Mítica. Mas, para concretizar seus planos, a família Damora deverá se juntar ao rebelde Jonas e o grupo formado por Nic, Felix e o misterioso Ashur ressuscitado.

Enquanto isso, grávida de um Vigilante e temida por todos, Lucia foge do deus do fogo e viaja em busca de Gaius e Magnus. Mas o tempo está acabando. A tempestade iminente indica que a profecia sombria de que o Vigilante Timotheus falou está se aproximando. O destino da feiticeira está traçado, e inclui ninguém menos que o rebelde Jonas.
Nem dá para acreditar que em 2013 comecei a ler essa série; no quarto ano de espera chegamos no quinto e penúltimo livro da série A Queda dos Reinos e a única coisa que posso fazer é me indagar com: como que essa série fica melhor a cada volume? A cada novo livro aumenta ainda mais a vontade de chegar e não chegar no desfecho, porque é uma história que nos deixa extasiado, mas que também não queremos que acabe. Recomendo ler as outras resenhas (no final do post) para se habituar a história e para não ganhar spoilers, se ocorrer nas linhas a seguir.

Os livros de Rhodes, pelo menos dessa série, tendem a recapitular o que acontece nos últimos volumes: fazendo com que a história comece exatamente de onde parou no volume anterior, contudo, dessa vez temos uma passagem dezessete anos antes da busca da Tétrade, quando o Rei Sanguinário, Gaius, ainda não havia recebido o este título. Com a volta no tempo, temos a possibilidade de saber o que aconteceu no passado e como será importante esmiuçar o passado para tomar medidas no presente.
“Meu coração ficou destruído quando pensei que tinha perdido você para sempre. Deveria tê-lo incluído em meus planos, mas eu estava com medo, muito medo.”
É perceptível que a autora, por mais direita que sempre foi, coloca algumas boas páginas na sua história somente para prolongar o fim (ou vender um pouquinho mais), então temos diálogos realmente longos e voltas com mais voltas para chegar em lugar algum - o que em determinado momento começa a deixar o leitor estressado -, o livro se torna digerível rapidamente, não havendo fatos minuciosos e que exigem tanta atenção assim. 



Mas o que sempre me chamou atenção nos livros da Morgan Rhodes foi seus personagens ora excêntricos ora tão comuns quanto a você e a mim, sempre ressalto que os personagens deixam essa trama incrível. Dessa vez Cleo e Magnus chamam atenção, finalmente o romance entre eles fica aparente ainda que com alguns percalços, essas são as melhores cenas do quinto volume e talvez é justamente por esse motivo que Magnus ganhou tanto foco enquanto outras coisas ocorriam no reino.

Enfim, é uma série que recomendo para todos que gostam de fantasia e algo similar a Game of Thrones: arranca lágrimas, frusta e criar muitas expectativas. Por mais que o quinto livro tenha enrolado um pouco mais a história, ainda é válido pois viajamos no tempo e conhecemos o passado de alguns personagens.



Leia também sobre os outros livros da série:
A Queda dos Reinos #1: A Queda dos Reinos
A Queda dos Reinos #2: A Primavera Rebelde
A Queda dos Reinos #3: A Ascensão das Trevas
A Queda dos Reinos #4: Maré Congelada

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Livro oferecido através de parceria com a editora.
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