Resenha: "Tá Todo Mundo Mal", de Jout Jout

25 Jun 2016

Tá Todo Mundo Mal
O livro da crises
Julia Tolezano
Editora Companhia das Letras, 2016
200 páginas
Do alto de seus 25 anos, Julia Tolezano, mais conhecida como Jout Jout, já passou por todo tipo de crise. De achar que seus peitos eram pequenos demais a não saber que carreira seguir. Em tá todo mundo mal, ela reuniu as suas "melhores" angústias em textos tão divertidos e inspirados quanto os vídeos de seu canal no YouTube, "Jout Jout, Prazer".
Família, aparência, inseguranças, relacionamentos amorosos, trabalho, onde morar e o que fazer com os sushis que sobraram no prato são algumas das questões que ela levanta. Além de nos identificarmos, Jout Jout sabe como nos fazer sentir melhor, pois nada como ouvir sobre crises alheias para aliviar as nossas próprias!
Conheci Jout Jout cagando, sério, o primeiro vídeo que assisti dessa mulher estava no banheiro com diarreia, dali para cá, tenho assistido alguns vídeos e me identificado com diversos assuntos - começo essa resenha sincero, pois esse livro, além de muito engraçado é sincero. Histórias de amigo para amigo, do íntimo para o íntimo: um livro de crises que todo mundo têm - ou terá.
“Nada mais reconfortante para quem esta numa crise, do que saber da crise dos outros e ficar medindo em silêncio sobre se a deles é pior ou mais branda que a nossa própria.”
Acho que a melhor forma de encarar as próprias crises é olhando a dos vizinhos, aí vem aquela ideia: "se ela consegue, por que eu não consigo?", então Jout Jout abre parte da sua vida com seus leitores - realizando seu sonho em escrever um livro e, de alguma forma, fazer os seus leitores refletirem em determinadas situações da vida, como os vídeos dessa youtuber já propõe.
Sem crises parece que você não se transforma. E, se você não muda, você para.
Esse é um livro com diversos capítulos, alguns longos e outros curtos, alguns com assuntos idiotas e que causam um trabalhão e outros falando sobre coisas que deixamos passar despercebidos - o livro contém não só histórias de Julia, mas também dos seus amigos (como se todo mundo já conhecessem eles). E esse é um ponto especial do livro, porque percebemos o tanto que somos iguais mesmo sendo tão diferentes.
“Existia um troço que acabava com a saúde de qualquer criança nos anos 90 e esse negócio se chamava Tamagotchi! Tamagotchi era um micro videogamezinho do tamanho de um relógio de bolso, onde morava uma pequena bolinha com olhos, meu dever como mãe de uma bolinha dessas era alimenta-lá e evitar que morresse, caso ela passasse um determinado tempo sem comer, brincar, fazer coco e outras frescurinhas, ela morria, um deslize e a bolinha morria. Se você fosse uma pessoa boa, pura, correta e responsável sua bolinha se transformava aos poucos num lindo dinossauro e você se sentia realizada de uma forma impossível de ser descrita. É claro que eu posso apenas especular sobre isso já que jamais fui capaz de ver minha bolinha virar um dinossauro, eu perdia meu tamagotchi, esquecia meu tamagotchi, molhava meu tamagotchi, mas acima de tudo eu eu amava meu tamagotchi tudo que eu queria era vê-lo forte, saudável, alimentado e feliz, mas não é fácil ser mãe aos 6…”
Apesar do receio deste livro, me senti tão bem em ter começado essa leitura, que por sinal é divertida e reflexiva, um livro de histórias de crises comuns que todo serumaninho tem. Cada capítulo termina com uma final esplendoroso e deixa uma reflexãozinha perante a cada assunto. Adorei a leitura, recomendo não somente para os fãs de Jout Jout, mas para aqueles que estão começando as responsabilidades e entrando realmente nos troços da vida. Apesar da leitura divertida, é, sem dúvidas, um livro que ajuda, e muito.

Todos os meus demônios me cumprimentam como um amigo

23 Jun 2016

Conheci a norueguesa Aurora nesse post através da menina do Carolinices, juro para vocês, não foi amor à primeira vista, nem de segunda, nem de terceira, mas sim de sexta vista – demorou muito para eu apreciar as músicas requisitadas de Aurora Aksnes. Mas quando apreciei, meus amigos, apreciei de verdade.



Aurora tem sido a minha playlist de ônibus e das coisas que vos escrevo.  Se não me engano, as músicas dessa cantora se tratam de um folk mais eletrônico, synthfolk - como também é chamado pelo Sr. Wiki. A cantora é nova, tem minha idade e não tinha álbum lançado nem aqui, nem na Noruega. Em março de 2016, finalmente foi lançado o primeiro álbum dessa albina – All My Demons Greeting Me As A Friend





Deixo esse (último) vídeo que amo:



Para completar a vibe de folk, essa semana escutei pela segunda vez Halsey (a primeira foi no carro de um amigo ~ fiquei muito intrínseco com aquela música que tocava), Ashley Nicolett é uma guria de cabelo azul com músicas realmente boas, depois falo dela aqui, se vocês quiserem.

Se não quiserem também, porquê vou falar.  

Resenha: "Outlander - A viajante do tempo", de Diana Gabaldon

21 Jun 2016

Outlander - A viajante do tempo
Diana Gabaldon
Editora Arqueiro, 2014
800 páginas

Em 1945, no final da Segunda Guerra Mundial, a enfermeira Claire Randall volta para os braços do marido, com quem desfruta uma segunda lua de mel em Inverness, nas Ilhas Britânicas. Durante a viagem, ela é atraída para um antigo círculo de pedras, no qual testemunha rituais misteriosos. Dias depois, quando resolve retornar ao local, algo inexplicável acontece: de repente se vê no ano de 1743, numa Escócia violenta e dominada por clãs guerreiros.

Tão logo percebe que foi arrastada para o passado por forças que não compreende, Claire precisa enfrentar intrigas e perigos que podem ameaçar a sua vida e partir o seu coração. Ao conhecer Jamie, um jovem guerreiro escocês, sente-se cada vez mais dividida entre a fidelidade ao marido e o desejo. Será ela capaz de resistir a uma paixão arrebatadora e regressar ao presente?

Meu. Deus. Do. Céu!!! Antes de começar, posso implorar que, se você tiver esse livro paradinho na estante, comece a ler IMEDIATAMENTE? Ok. Obrigada. Só o que eu consigo dizer desse livro é que, Diana Gabaldon, você é um gênio!! Outlander - A viajante do tempo é o primeiro volume da série Outlander e conta a história de Claire, 27 anos, enfermeira, casada, voltando do serviço que prestou durante oito anos na Segunda Guerra Mundial, em plena lua de mel com o marido que passou tantos anos afastada, quando é arrebatada para a Escócia de muitíssimos anos atrás por um círculo de pedras que contém uma magia sobrenatural.




O primeiro sentimento foi de desespero. Imaginar aquela situação em que Claire estava dava certa agonia, apreensão e medo. Como lidar com uma situação em que você está completamente sozinha em um mundo que você não conhece, séculos inferiores ao que você está habituado? Confesso que tive que fechar o livro diversas vezes pra recuperar o fôlego. A autora conseguiu entremear fatos reais com fictícios, de forma que a leitura flui de maneira fácil de engolir, pois somos apresentados a personagens com hábitos e culturas reais para a época. A cada capítulo me sentia mais próxima de Claire, com sua personalidade forte e seu conhecimento sobre regras de sobrevivência, começamos a acreditar na sua capacidade de sair de tudo aquilo bem.



Somos apresentados a muitos personagens rapidamente, entre eles Collun, Murtagh, Dougal e o marcante Jamie. Ruivo, gigante, amável e usando kilt, óbvio. E, a partir daí, as escolhas de Claire se tornam milhares de vezes mais difíceis, assim como as nossas, leitores que sofremos junto com as decisões que ela precisa tomar. Dividida entre o mundo que conhece desde que nasceu, às pessoas que deixou pra trás e entre o novo mundo que a abraçou e aprendeu a amar.



É difícil escrever sobre algo que me cativou tanto, que me fez viajar e até sonhar. Só queria poder compartilhar essa história com todos os leitores do mundo! De desespero a amor, paixão, ódio, nojo, repulsa, náuseas e amor novamente. Tudo em um livro só! Ansiosa e doida pra ter os próximos volumes em mãos e, assim, poder conviver mais um pouquinho com esses personagens tão incríveis.