Resenha: "A História de Nós Dois", de Dani Atkins

26 May 2016

A História De Nós Dois
Dani Atkins
Editora Arqueiro, 2016
352 páginas
Emma tem 27 anos, é linda e inteligente e vive cercada de pessoas que ama. Prestes a se casar com Richard, seu namorado desde a época de escola, ela não poderia estar mais empolgada.

Mas o que deveria ser o momento mais feliz de sua vida de repente vira uma tragédia. Emma sofre um acidente e é salva por um estranho minutos antes que o carro em que ela viajava explodisse.

Abalada, ela decide adiar o casamento. E nesse meio-tempo descobre segredos que a fazem questionar as pessoas nas quais sempre confiara a ponto de duvidar se deve se casar afinal.

Para complicar, ela se sente cada vez mais ligada a Jack, o homem que a salvou e que não sai da sua cabeça. Jack é lindo, gentil e divertido, de um jeito diferente de todos que ela já conheceu. Por outro lado, é Richard quem ela sempre amou...

Uma mulher, dois homens, tantos destinos possíveis. Como essa história vai terminar?


Sabe uma daquelas surpresas boas que a gente tem na vida? Um exemplo, que todo leitor vai entender, é quando nos apaixonamos por um livro só por conta da capa bonitinha, da sinopse que promete uma boa história, e ao ler, acabar notando que fez uma boa escolha. Uma das melhores sensações da vida, né? E aconteceu comigo. E com esse livro aqui. A história de nós dois, que na minha opinião, deveria se chamar A história de nós três. Vou te contar porque.




A história é dividida entre o começo e o fim, capítulos em que somos apresentados a história no presente e no futuro. De uma forma muito legal, a autora conseguiu nos aproximar de Emma, uma mulher de 27 anos que decide dar uma pausa em sua carreira profissional e voltar para sua cidade natal, para ajudar o pai a cuidar da mãe, que sofre de Alzheimer. Ao voltar pra cidade, ela e o ex namorado do colégio retomam o namoro e noivam.




Logo nas primeiras páginas, acontece um acidente horrível com Emma e suas amigas de infância, Caroline e Ammy, na volta da festa de despedida de solteira de Emma. Graças a ajuda de Jack, um desconhecido que passava na estrada, elas foram resgatadas, porém não saíram ilesas do acidente. Depois da tragédia, foi traçado um novo rumo da vida de todos os envolvidos.

Seria de esperar que algum sinal, qualquer que fosse, marcasse o dia em que sua vida irá mudar. Deveria haver sinos tocando (bem, creio que mais tarde eles tocarão). Talvez devesse haver relâmpagos e um ou dois trovões.

Emma e o então noivo, Richard, decidiram adiar o casamento, enquanto Jack se tornou figura presente em sua vida. Em meio às tragédias, segredos do tempo que Emma e Richard ficaram separados foram sendo descobertos, o que abalou a vida de Emma, que já estava em conflito com seus sentimentos pelo seu salvador.



Durante toda a leitura, sentia certa agonia, de não conseguir decidir a vida da protagonista por ela. Se ela estava indecisa quanto a quem amava, eu estava três vezes mais. Um triângulo amoroso sempre requer da gente a decisão de que lado ficar, mas nessa história, confesso que foi bem difícil. Mesmo tendo concordado com a maneira que a autora encontrou de dar um fim na história, ainda fiquei imaginando outros possíveis finais, ideais martelando na cabeça de "e se ela tivesse ficado com ele?". É aquele tipo de livro que te deixa inquieta e que te faz refletir sobre a maneira correta ou qual seria o caminho certo a seguir, afinal. Nãos sei se eu teria a força e a capacidade de perdoar de Emma, a determinação e o amor de Richard, a paixão e o desejo de cuidar de Jack, mas sei que despertou uma vontade de ter um pouco dos três pra mim.
Lar é onde a pessoa que você ama vive.

24 de maio, terça-feira, 21:48:28

24 May 2016


Quantas vezes abri o bloco de notas com o desejo de escrever algo, mas quantas vezes olhei o indicar piscando, esperando uma resposta dos meus dedos, esperando por uma seqüência de palavras que não consigo transmitir para uma página em branco. É como, é como se eu tivesse perdido esse dom de me expressar, de colocar pra fora o que sinto, parece que essa exatidão para escrever é o reflexo de como estou: vago, liso, leve e vazio.

Já não me resta a prática de sentar, escrever, chorar e rir dentre palavras. Será que perdi o jeito? Gostaria de encontrar um motivo para não redigir textos de amor, reflexões e manter o diário. Espero que seja só uma fase - e é somente uma fase - não conseguir liberar, num escape, em formas de palavras tudo aquilo que sou e estou sentindo queimar por dentro.

O indicador piscando é o meu maior inimigo, quero enfrenta-lo, mas, agora, parece não ser uma boa hora pra isso.

Resenha: "O que há de estranho em mim", de Gayle Forman

19 May 2016

O Que Há de Estranho Em Mim
Gayle Forman
Editora Arqueiro, 2016
224 páginas
Ao internar a filha numa clínica, o pai de Brit acredita que está ajudando a menina, mas a verdade é que o lugar só lhe faz mal. Aos 16 anos, ela se vê diante de um duvidoso método de terapia, que inclui xingar as outras jovens e dedurar as infrações alheias para ganhar a liberdade.

Sem saber em quem confiar e determinada a não cooperar com os conselheiros, Brit se isola. Mas não fica sozinha por muito tempo. Logo outras garotas se unem a ela na resistência àquele modo de vida hostil. V, Bebe, Martha e Cassie se tornam seu oásis em meio ao deserto de opressão.

Juntas, as cinco amigas vão em busca de uma forma de desafiar o sistema, mostrar ao mundo que não têm nada de desajustadas e dar fim ao suplício de viver numa instituição que as enlouquece.
Galey Forman. Posso acabar por aqui, né? A mulher simplesmente não decepciona. E com essa história não podia ser diferente.

Gayle nos apresenta Brit, adolescente, indo para o penúltimo ano do colégio, cabelos coloridos, tatuagens descoladas pelo corpo, guitarrista e vocalista de uma banda chamada Clod e filha amada de pais super legais. Até que sua mãe começa apresentar sinais de loucura, acreditando que pessoas querem matá-la, relatando ouvir vozes e chegando até a sumir por dias de casa. O quadro não melhora, até que a mulher é diagnosticada com esquizofrenia. E é aí que a vida da protagonista, antes apenas uma adolescente preocupada em fazer shows com a banda e babar por Jed, um dos integrantes, muda radicalmente. E não de uma forma legal. A filha acaba perdendo a mãe pras garras de sua doença mental e sem a ajuda do pai, que era o único que tinha poderes para internar a mulher, não conseguia ver a esposa daquela forma e acabou abandonando-a. Me deixou perplexa e com um sentimento de impotência gigantesco. Não é fácil ser leitora nessas horas, a vontade que dá é de entrar na história, sacudir aquele pai confuso e sem perspectivas e dizer: "Ei, acorda! Vai ajudar a sua mulher. Tem jeito ainda, não perde as esperanças desse jeito!!!!". Arrrgh!


As coisas conseguem ficar ainda piores, o pai de Brit casa-se novamente e lhe dá um irmãozinho. A menina odeia a madrasta, apelidada por ela mesma de Monstro. Daí não podia sair boa coisa. A nova família faz planos pra Brit, sem que ela se dê conta e inventam uma viagem para leva-la até Red Rock, uma espécie de reformatório juvenil, que seu pai acreditava ajuda-la a curar sua "rebeldia". E então, somos apresentadas a Red Rock, com seus métodos cruéis e ilegais de terapia, uma prisão em que meninas com problemas de distúrbios alimentares, gays, ou qualquer outro caso visto como rebeldia pelos pais (que realmente acreditavam estar fazendo algo bom pelas filhas), eram internadas. A vida no reformatório era baseada em níveis, como uma escada, que te levaria para o sucesso e enfim de volta pra casa. É revoltante a maneira como são tratadas, expostas a situações desumanas e severas.


A reviravolta acontece quando Brit conhece V, Bebe, Martha e Cassie, que juntas se tornam o grupo "Irmãs Insanas". A história, a partir daí, toma um rumo mais alegre e envolvente, pois em meio aos muitos problemas, elas conseguem forças no apoio e colo umas das outras.
"Naquele momento de maior fraqueza,
Quando você se encontra abatida
E não consegue enxergar com clareza,
Achando que não há mais saída,
Que não tem mais gás,
Antes de ceder à escuridão,
Se você olhar pra trás vai encontrar a minha mão."
Me apaixonei por todas elas, me envolvi, me senti amiga de todas e um desejo no fundo do coração de que todas conseguissem sair bem daquela situação. A história com Jed também emociona e, pra ser franca, as citações a vagalumes sempre me faziam sorrir (quando ler, você vai entender do que estou falando). Algumas vezes, confesso, derramei lágrimas. Outras, o coração quase pulava do peito, de tão acelerado e em cada página relacionava com a realidade e me doía, quase fisicamente, saber que locais como o Red Rock existem de verdade e ler essa história pode me aproximar dessa realidade e entender, que algumas vezes nossos pais também erram, apesar de acharem que o que estão fazendo é pra nos ver melhores. Calorzinho no coração, sorrisos bobos e satisfação são sentimentos que ficam no pós-leitura. O poder da amizade, a força do perdão e a garra de vencer são as marcas desse livro, que como todas as outras obras de Gayle que pude ler, deixou marcas no meu coração.