Resenha: "A Espada de Shannara", de Terry Brooks

9 Dec 2016

A Espada de Shannara
Trilogia A Espada de Shananra, livro 01
Terry Brooks
Editora Arqueiro, 2015
544 páginas
Há muito tempo atrás, as guerras de um anciente Mal arruinou o mundo e a humanidade foi forçada a competir com muitas outras raças – gnomos, trolls, anões e elfos. No pacífico vale de Shay o meio-elfo Shea Ohmsford sabe pouco de tais problemas, isso até o gigante proibido com poderes druidas estranhos, Allanon, lhe revelar que o supostamente morto Lorde Warlock está tramando para destruir o mundo em pequenas parcelas. A única arma capaz contra seu poder da escuridão é a Espada de Shannara, que pode ser usada apenas pelo verdadeiro herdeiro de Shannara. E Shea é o último dessa linhagem e nele repousa a esperança de todas as raças. Logo o Portador da Caveira, um pavoroso favorito do Mal, se dirige para o Vale para matar Shea. Para salvar o Vale da destruição, Shea foge, levando em seu encalço o Portador da Caveira..
Quando conheci The Shannara Chronicles estava super entediado, então resolvi colocar a série para passar no computador enquanto almoçava. Desliguei o computador 12 horas depois de acabar toda a primeira temporada. Com isso, senti necessidade em conhecer a série mais a fundo: lembrando que ano retrasado o primeiro livro havia sido lançado em terras brasileiras. Contudo, não contava como a história dos livros seriam diferentes da série, quero dizer, a série se baseia a partir do segundo. Então tive uma surpresa. Uma surpresa que me deixou mega feliz: pude conhecer toda uma história, personagens e contos que fazem e não fazem parte da série de TV.


Nos finais dos anos setenta Brooks publicou o primeiro livro da sua trilogia que, em meses, se tornou um dos mais vendidos e precursores na faixa de fantasia a entrar para os mais vendidos da The New York Times. Na trilogia de Terry Brooks é fácil perceber a semelhança ou que pelo menos as sementes plantadas pelo grande Tolkien puderam ser bem ramificadas na imaginação de Brooks. As obras dessa época sofreram grande influência política do período, trazendo as iminências que afetavam o homem, como o desconhecido e possíveis guerras que afetariam o organização mundial.


É inegável não assemelhar a aventura produzida por Terry Brooks com toda a religião criada por Tolkien, ambos seguem para um rumo comum, contudo, Tolkien se preocupa em criar realmente em criar uma história, desenvolver linguagens, árvores genealógicas e uma filosofia por trás de sua obra, enquanto Brooks se baseia em proporcionar uma aventura alucinante com uma contextualização de fácil entendimento, a história, contudo, não é relapsa com fatores históricos, desenvolvimento de personagens e histórias secundárias. 

Esta é uma leitura para todos que gostam de uma boa fantasia, novos seres e mitologia. Para quem gostou de Mago, o Senhor dos Anéis e outros exemplares do mesmo gênero, arrisco ainda em dizer que quem não é fã deste poderá adorar esse livro que, sem dúvidas, contém uma aventura de arrancar o fôlego.

Resenha: "Repetecco", de Bryan Lee O'Malley

7 Dec 2016

Repetecco
Bryan Lee O'Malley
Editora Quadrinhos na Cia
336 páginas
A vida de Katie vai muito bem. Ela é uma chef talentosa, dona de um restaurante de sucesso e com grandes planos para a vida. De repente, em um único dia ela perde uma grande chance de negócios, sua paquera com um jovem chef azeda, sua melhor garçonete se machuca e um ex-namorado charmoso aparece para complicar ainda mais a situação. Quando tudo parece perdido e Katie já não enxerga mais uma solução, uma misteriosa garota aparece no meio da noite com a receita perfeita para uma segunda chance. E assim, Katie ganha um repeteco na vida e precisará lidar com as consequências de suas melhores intenções.


O correio chegou. "CORREEEEEIOS!", eu pulo da cama, corro e tropeço nas escadas (quase acontece um acidente). Livros!!!! O sorriso estampado na cara, o carteiro rindo de mim e a assinatura toda torta e mal feita pra subir correndo e rasgar o pacote. E TCHAM-RÃM! Lá está Repetecco. Meu Deus, estava tão ansiosa por essa leitura! Abri, cheirei, admirei as ilustrações. Quadrinhos, ai meu Deus, sempre quis! Sentei na cama, cruzei as pernas e puf... Li tudo numa sentada só! Não me contive. A história é super leve, as ilustrações lindas de morrer, o cheiro diferente que um livro ilustrado tem... e a textura! Uma delícia!




Repetecco conta a história de Katie, uma personagem de personalidade forte e cheia de si, chef de cozinha do Repetecco, um restaurante bem requisitado por seus pratos deliciosos. Com grandes sonhos de ter outro restaurante, sua vida anda cheia de pequenos estresses. Desde a obra estar muito lenta pro seu gosto à presença do ex-namorado que à faz derreter. Após um acidente de trabalho com uma de suas funcionárias por um erro cometido por ela e o outro chef que anda pegando, as coisas parecem estar de ponta cabeça e é em seu quartinho minúsculo, dentro do próprio restaurante que ela encontra a solução.



É então que Katie encontra, por acaso, um cogumelo e uma caderneta intitulada "meus erros" com algumas instruções para modificar o erro cometido. O que ela vem descobrir depois como sendo do "espírito do lar". Decidida a tentar, faz o que as instruções mandam e após acordar percebe que as coisas realmente mudaram. Acreditando que havia tirado a sorte grande e que não haveria consequências, Katie passa a usar a ajuda dos cogumelos com muita frequência, o que acaba lhe causando grandes problemas.





A história é divertida, fantasiosa, mas ao mesmo tempo adulta. Conta os problemas de um jovem adulto, assim como o envolvimento com as relações profissionais e amorosas de um jeito bem real, o que deixou a história ainda mais interessante. Minha experiência com quadrinhos é bem pequena, mas Repetecco ganhou um espaço especial no meu coração, dentre todas as muitas histórias que já li. Marcante e com uma mensagem importante de que toda ação tem uma consequência e precisamos arcar com elas. Em muitos momentos ri de doer a barriga. Leitura pra um dia preguiçoso de férias e isso é um conselho, esteja livre, porque você não vai querer largar até chegar à última página.

Resenha: "Nevando em Bali", de Kathryn Bonella

22 Nov 2016

Nevando em Bali
Kathryn Bonella
Editora Geração
368 páginas
“Nevando em Bali”, best-seller da escritora australiana Kathryn Bonella, é um livro raro e absorvente, que traz revelações que vão chocar os leitores interessados em jornalismo investigativo e em histórias humanas por trás dos folhetos que prometem paraísos terrestres. Jovens do mundo inteiro, entre eles surfistas sul-americanos como o brasileiro Rafael, enriquecem até o delírio na pequena e linda Bali, cujos moradores são famosos por acolher com gentis e hospitaleiros sorrisos milhões de turistas. No estilo de vida criado por esses novos playboys, o tráfico de cocaína desempenha papel fundamental. E eles poderão acabar na prisão de Kerobokan, verdadeiro inferno, ou fugir. Mas pagarão alto preço pela vida de luxo. Construído à base de relatos verdadeiros, de primeira mão, sobre esses traficantes, o livro lança a pergunta: quem será o próximo a acabar em kerobokan? Um livro indispensável.
Nevando em Bali, caiu em minhas mãos sem que eu o solicitasse, chegou de surpresa e me deixou curiosa desde o primeiro instante, pois aborda um assunto que nunca tive a oportunidade de conhecer mais à fundo. O livro consiste em fatos jornalísticos, cheio de relatos pessoais e verdadeiros, sobre a verdadeira Bali nos anos 90. Além das belíssimas praias, que dão ótimas ondas pros surfistas que vêm do mundo inteiro, é uma cidade envolvida em outra realidade: drogas, prostituição, dinheiro, farras e consequentemente prisão e morte. O paraíso para os traficantes.


Somos apresentados a Rafael, o surfista brasileiro que sonhando em surfar nas ondas de Bali, consegue dinheiro suficiente para conhecer o lugar e sua vida muda da noite pro dia. Apresentado aos poderosos da cidade, os traficantes, ele passa a desejar viver a boa vida que eles aparentam viver. Dinheiro fácil, mulheres, festas, iates, entre mil e outras regalias. Logo de mula, Rafael passa a ser um dos traficantes mais conhecidos do lugar. A engenhosidade dos traficantes me deixou de boca aberta, a maneira que eles criavam situações para transportar a droga eram de uma engenhosidade incrível.
"Em todos os ramos do crime, dinheiro e poder eram as principais forças, e havia um grande número de ocidentais querendo entrar no submundo de Bali e fazer sua primeira entrega de drogas. Alguns subiam de nível e viravam traficantes, outros investiam em negócios legítimos em Bali, como restaurantes, pousadas, boates, lojas de roupas ou exportação de móveis; e havia também outros que iam direto para a Penitenciária de Kerobokan."
A Penitenciária de Kerobokan foi o destino de muitos personagens que conhecemos ao longo da história. Sua dura realidade levaram muitos a sentença de morte por tráfico de drogas. Rafael viu muitos amigos entrarem pelo cano, Marco, André, Rodrigo e até a própria mulher, todos foram presos e julgados a prisão durante longos anos ou à morte. Sua vida vira de cabeça pra baixo e é então que Rafael conhece o outro lado do mundo maravilhoso em que vivia.

"Todos os meus amigos começaram a ser presos em Bali, no Brasil, na Austrália, e aí eu pensei "que merda, cara, tão vindo atrás de mim - preciso tomar mais cuidado." (Rafael)"
É um livro bem pesado, com cenas reais e impactantes sobre o mundo do tráfico. Em diversos momentos ficava agoniada durante a leitura, sabendo que a situação em que essas pessoas viviam não poderiam durar a vida inteira, levaria todos para um fim terrível, como realmente aconteceu. Droga é um assunto que mexe bastante comigo e que, com certeza, se pudesse erradicar algo do mundo, seria isso. A destruição de famílias é ocasionada por esse mal. Então, se você curte histórias reais e cheias de cunho jornalístico, indico esta leitura.