Resenha: "Tudo o que eu queria te dizer", de Martha Medeiros

27 Apr 2017

Tudo o que eu queria te dizer
Martha Medeiros
Alfaguarda, 207
193 páginas
Em "Tudo que Eu Queria te Dizer", Martha Medeiros encarna personagens que assinam cartas reais, trágicas, por vezes cômicas, devastadas por sua dor. Em comum, as personagens deste livro têm a verdade de quem atravessa um ponto de virada em suas vidas e resolve colocar as cartas na mesa.
Conheço Martha Medeiros por causa do facebook, você provavelmente a conhece por aí também, todo mundo conhece Martha Medeiros e o trabalho que essa mulher faz com as palavras. Óbvio que quando surgisse uma oportunidade eu iria lê-la – e li.



Tudo que eu queria te dizer é uma "coletânea" de textos da autora, espécie de livro que contém diversas cartas sobre a vida, a vida dos outros e peculiaridades (ordinárias) de cada um. Eu gostei desse livro até metade, porque depois ele começa a decair e se tornar um pouquinho tenso. E quando digo tenso quero dizer chato. E quando digo chato quero dizer que quase abandonei:

Numa dessas conversas de ônibus em que sempre encontro uma amiga para fofocar ou refletir sobre a vida, cheguei ao ponto de que o homem tem uma facilidade muito grande para se nortear para o lado negativo, que ser sincero ganha destaque para falar mal ou revelar aquilo que sempre teve guardado. As cartas escritas sob diversas perspectivas me irritaram profundamente porque quase todas, se não todas, falavam da vida ou de momentos com um pesar nas palavras. Senti falta de uma carta feliz, que me fizesse rir ou que acalentasse o coração. Para mim, "tudo o que eu queria dizer" se remete a sinceridade e ser sincero não é apenas enxergar os momentos ruins, as decepções ou mandar alguém ir se f^#%* por estar com aquilo preso na garganta.



Eu ri em algumas páginas até que começou a ficar repetido demais, tragédias demais e eu percebi que nem sempre o autor acerta ou toca seus leitores da forma que planejou, pelo menos não me senti tocado por meia dúzia das cartas de Martha. A vida já está triste demais com essas guerras, com a tecnologia e com o capitalismo exacerbado, não quero ver novelas de filhos contra pais, não quero ver gente morrendo por besteira e não quero ler um livro de problemas alheios. Me desculpe Martha, mas não gostei do seu livro e você já deve ter percebido por essa resenha, que está mais para um desabafo.



Martha você escreve bem, muito bem aliás. As cartas são escritas por diversas perspectivas – que coincidem com diversos personagens e linguagens, algumas bruscas outras mais sensatas. Alguns "personagens" trazem até mesmo alguma familiaridade, pelo jeito que são descritos ou escrevem. Mas esse não é um livro que recomendo, porque não vejo como irá ajudar alguém algum dia, não é divertido (apenas no começo) e já sabemos que a vida não é divertida o tempo todo, não precisamos ler um livro para saber que todos temos problemas, nem ver um filme, novela, teatro para jogar na nossa cara que algumas coisas na vida são complicadas.

Obrigado, mas dessa vez vou deixar passar suas palavras, Martha. Isso era tudo o que eu queria te dizer.

Resenha: "Hilda e o Troll", de Luke Pearson

25 Apr 2017

Hilda e o Troll
Luke Pearson
Quadrinhos na Cia, 2017
40 páginas
Hilda adora aventuras, seja acampar numa noite chuvosa ou explorar a paisagem montanhosa nos arredores de casa. Durante uma expedição pelas colinas, ela encontra uma pedra muito suspeita: de dia, é apenas uma rocha engraçada, mas à noite se transforma num troll! Enquanto faz um desenho no caderno para registrar sua mais nova descoberta, Hilda acaba pegando no sono, e, ao acordar, o troll desapareceu. Agora, no caminho de volta para casa, Hilda terá de lidar com uma floresta assustadora, um gigante perdido, um homem de madeira misterioso e um sino tilintante. Inspirado no folclore nórdico, este quadrinho de cores vivas mistura realidade e fantasia para criar um universo deslumbrante, de onde crianças e adultos não vão querer sair.
Hilda e o troll é um daqueles quadrinhos leves e mega fofos, decidi lê-lo por causa da capa (o que não é novidade por aqui). A história é bem simples, com quarenta páginas fica complicado contar muita coisa, creio que esteja iniciando uma série de quadrinhos sobre a vida peculiar de Hilda.


Os cartoons são muito fofinhos, detalhados e possuem uma paleta de cores que eu amo – contraste de turquesa com vermelho, por exemplo. Desde a primeira até a última página encontramos uma harmonia, a história se desenrola com calma. E em breves páginas conhecemos um pouquinho da vida de Hilda, lendas que assustam a protagonista e o troll, obviamente.


Esse é um daqueles livros que coloco na segunda prateleira debaixo para cima, porque é onde meu irmão mais novo alcança e sempre conseguirá pegar essa fofura de exemplar para ler, rir e deixar os olhinhos brilhando com as cores das páginas – por mais que ele não saiba ler, ele se interessa e sei que devo ler esse livro mais duas ou três vezes para ele (e depois para minha irmã mais nova quando ela começar a entender o que estou dizendo hihi). Altamente recomendável para meninos de 1 à 80 anos, afinal, nunca é tarde demais para apreciar quadrinhos bem feitos, nunca será tarde demais para apreciar arte.


it's birthday

21 Apr 2017


my bday is your bday, c'mon. :)